O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (5), que teve uma conversa direta e reservada com o próprio filho após a divulgação de seu nome em investigações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em entrevista ao UOL, Lula contou que fez questão de falar “olho no olho” e deixar claro que, caso haja qualquer irregularidade, a lei será aplicada sem privilégios. Segundo o presidente, a mensagem foi objetiva: quem erra, paga.
Lula ressaltou que a orientação do governo é permitir que os órgãos competentes investiguem livremente, sem interferência política. Ao comentar o escândalo no INSS, o petista atribuiu a origem do esquema à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que as apurações identificaram uma organização criminosa montada naquele período. Apesar disso, reforçou que integrantes do atual governo não serão protegidos caso surjam provas de envolvimento, mesmo reconhecendo que o maior volume de desvios ocorreu durante sua administração.
O presidente revelou que chegou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para aprofundar as investigações, mas a proposta acabou sendo descartada após avaliação de lideranças do PT e de outros partidos. Ainda assim, afirmou que o governo seguirá avançando nas apurações por meio da atuação da Advocacia-Geral da União, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal.
Sobre o Banco Master, Lula confirmou que recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro e foi enfático ao afirmar que não haverá qualquer tipo de interferência política no caso. Segundo ele, a apuração será técnica e conduzida pelo Banco Central, com punição severa aos responsáveis por eventuais irregularidades. O presidente classificou o episódio como possivelmente um dos maiores rombos financeiros da história do país e disse que o governo quer esclarecer o uso de recursos de fundos de trabalhadores por estados e as relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília.
Lula também saiu em defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski, após a divulgação de um contrato entre seu escritório e o Banco Master. O presidente afirmou que o jurista encerrou o vínculo com o banco antes de assumir cargo no governo e destacou sua trajetória profissional, afirmando que não há irregularidade no fato de advogados prestarem serviços a instituições privadas.
Ao abordar o cenário político, Lula demonstrou confiança na futura indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, dizendo acreditar na aprovação do nome no Senado após diálogo com os parlamentares. O presidente ainda fez um balanço positivo do momento econômico, afirmando que o Brasil superou a instabilidade institucional, voltou a crescer e recuperou o respeito internacional, com inflação controlada e forte entrada de investimentos estrangeiros.
Por fim, Lula confirmou que viajará a Washington na primeira semana de março para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, o encontro terá como foco uma relação pragmática entre as duas maiores democracias do Ocidente, com destaque para a cooperação no combate ao crime organizado e o fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
