O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou um requerimento que amplia o alcance das investigações ao solicitar a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A., controlada por José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. O pedido abrange o período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026 e inclui a requisição de Relatórios de Inteligência Financeira junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Na justificativa apresentada à comissão, Vieira cita reportagens que apontam a possibilidade de a empresa ter sido utilizada como instrumento de blindagem patrimonial. Para o senador, a medida é essencial para o avanço das apurações, que investigam uma complexa rede de influência e lavagem de dinheiro associada ao Banco Master e suas conexões com agentes públicos.
O requerimento detalha o acesso a todas as movimentações financeiras da companhia, incluindo contas correntes, poupança, aplicações e outros ativos mantidos em instituições bancárias. Também solicita dados telefônicos, como registros e duração de chamadas realizadas e recebidas. No campo telemático, o pedido alcança informações cadastrais, mensagens, localização e atividades em redes sociais como Instagram e Facebook, além de históricos de contatos e chamadas em aplicativos como WhatsApp e Telegram. Serviços vinculados ao Google, incluindo arquivos armazenados no Drive e imagens do Google Fotos, também entram no escopo da solicitação.
Segundo Alessandro Vieira, a quebra de sigilo não representa uma devassa indiscriminada, mas uma providência técnica, necessária e proporcional para rastrear o fluxo financeiro e identificar a destinação dos recursos movimentados pela Maridt Participações S.A. O senador afirma que a iniciativa atende ao dever constitucional do Legislativo de fiscalizar e esclarecer fatos relevantes de interesse público.
Paralelamente, Vieira apresentou requerimento para a convocação do ministro Dias Toffoli à CPI, citando uma possível relação do magistrado com cotas do resort Tayayá. O irmão do ministro, José Carlos Dias Toffoli, também foi convocado pelo mesmo motivo. O caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque Dias Toffoli é o relator, no STF, do processo que envolve o Banco Master.
As empresas responsáveis pela venda das cotas do resort e que mantinham relações com os irmãos Toffoli teriam contado com a intermediação da Raeg, fundo de investimentos ligado à Operação Carbono Oculto, que apura esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A CPI também aprovou pedidos de convocação de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado por fraude bancária com uso de ativos de origem ilícita e que tentou negociar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Outros nomes incluídos na lista são Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima, ex-integrantes da administração do Master, além de Mario Umberto Degan, que mantém relações societárias com empresas ligadas ao resort Tayayá.
Com a ampliação das medidas e o avanço das convocações, a CPI do Crime Organizado entra em uma fase decisiva, aproximando o foco das investigações de personagens centrais do sistema financeiro e do Judiciário, em um enredo que promete novos desdobramentos políticos e institucionais.
