A relação entre grandes potências e a pequena ilha caribenha de Cuba entrou novamente no centro das tensões geopolíticas nesta segunda-feira (9), quando Moscou acusou oficialmente os Estados Unidos de aplicar “medidas asfixiantes” contra a nação socialista, intensificando uma crise energética que já atinge profundamente a vida cotidiana dos cubanos. A denúncia foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em sua coletiva diária, na qual classificou a situação de “realmente crítica” e responsabilizou as sanções americanas pelas dificuldades enfrentadas pela população e pelo governo de Havana.
A crise se agravou nos últimos meses após o corte no fornecimento de petróleo pela Venezuela, aliado tradicional de Cuba, em um momento em que a ilha luta para manter seus serviços básicos. A ameaça de Washington de impor tarifas punitivas a países que forneçam petróleo a Cuba está no cerne da tensão diplomática, e tem gerado implicações que vão além da mera retórica política. As autoridades cubanas anunciaram que, devido à escassez de combustível, o fornecimento de querosene para aeronaves será suspenso por um mês, obrigando companhias aéreas a planejarem voos com escalas técnicas para reabastecer.
Diante desse cenário, o governo cubano tem adotado medidas de emergência para racionar energia e reduzir o impacto da crise. Entre elas estão a redução da jornada de trabalho nas estatais para quatro dias, incentivo ao teletrabalho, restrições na venda de combustíveis, corte de serviços de transporte interurbano e até o fechamento temporário de estabelecimentos turísticos. Tais passos refletem a profundidade dos desafios que a nação enfrenta enquanto busca equilibrar necessidades básicas e pressões externas.
A posição russa, que se apresenta como aliado próximo de Havana, vai além das críticas públicas. Moscou declarou que está em contato estreito com as autoridades cubanas e estuda formas de fornecer assistência, inclusive em questões energéticas, conforme relatou Peskov. Autoridades russas também afirmaram que continuarão a fornecer petróleo à ilha, reforçando os laços entre os dois países em um momento em que a pressão dos Estados Unidos cresce.
Do lado norte-americano, o governo de Washington sustenta que as restrições visam proteger sua segurança nacional e pressionar Cuba devido, segundo os americanos, a políticas que consideram hostis. Um decreto assinado recentemente pelo presidente dos EUA autoriza a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à ilha, numa estratégia que alguns analistas veem como tentativa de isolar economicamente o governo cubano.
A crise energética em Cuba reverbera em múltiplos setores da sociedade, desde apagões e longas filas por combustíveis até impactos no turismo e transporte. Ao mesmo tempo, a disputa diplomática expõe não apenas as tensões históricas entre Havana e Washington, mas também o papel que potências como Moscou desempenham ao apoiar aliados em um cenário global cada vez mais polarizado.