Condenado por violência doméstica em diferentes episódios ao longo dos últimos anos, o ator Dado Dolabella oficializou nesta terça-feira (3) sua filiação ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e declarou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual afirmou encarar a entrada na política como uma missão pessoal. Segundo ele, sua candidatura terá como foco a defesa da família e o combate ao que chamou de “coisas erradas”, prometendo trabalhar pelo “equilíbrio” entre homens, mulheres e crianças.
A filiação foi celebrada por integrantes do diretório estadual da sigla, mas a repercussão negativa não demorou a ganhar força no ambiente digital. Internautas passaram a resgatar o histórico judicial do ator, marcado por acusações e condenações por agressões contra mulheres, o que rapidamente transformou o anúncio político em um dos assuntos mais comentados do dia.
Entre os casos mais conhecidos está o episódio envolvendo a atriz Luana Piovani, em 2008. À época, Dolabella foi acusado de agressão física durante o relacionamento. O processo resultou em condenação e também incluiu a camareira Esmeralda de Souza Honório, que teria sido agredida ao tentar intervir na discussão. Anos depois, o ator quitou a indenização estabelecida pela Justiça.
Outras ex-companheiras também registraram ocorrências ao longo dos anos. Em 2010, a então esposa Viviane Sarahyba conseguiu medida protetiva após denunciar agressões. Mais recentemente, Dolabella foi condenado em segunda instância por agressão contra uma ex-namorada. A decisão determinou cumprimento de pena em regime aberto e participação obrigatória em grupo reflexivo sobre violência doméstica.
O nome do ator voltou ao noticiário em 2023 durante o relacionamento com a cantora Wanessa Camargo. Embora não tenha havido denúncia formal de agressão física por parte dela, o casal esteve envolvido em polêmicas públicas, incluindo uma confusão em um bar no Rio de Janeiro que também citou o cantor Luan Pereira. Diante das especulações, Wanessa afirmou nas redes sociais que não foi agredida e que a situação havia sido distorcida.
Paralelamente à trajetória artística, Dolabella passou a se posicionar politicamente nas redes, declarando apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alinhando-se a pautas conservadoras, especialmente as relacionadas à defesa da família. A combinação entre discurso político e passado judicial ampliou o debate sobre coerência entre trajetória pessoal e bandeiras públicas defendidas pelo ator.
Luana Piovani reagiu diretamente ao anúncio da pré-candidatura. Em publicações nas redes sociais, questionou como alguém com condenações por violência doméstica pode se apresentar como defensor das mulheres e disputar um cargo eletivo. A manifestação reacendeu discussões sobre responsabilidade pública e critérios éticos para quem pretende exercer mandato parlamentar.
Do ponto de vista legal, a situação do ator não apresenta, até o momento, impedimento automático. A legislação eleitoral brasileira estabelece hipóteses de inelegibilidade por meio da Lei da Ficha Limpa, geralmente relacionadas a crimes contra a administração pública, corrupção ou decisões colegiadas que determinem a suspensão dos direitos políticos. No caso de Dolabella, não há registro de enquadramento que o impeça de concorrer em 2026.
Entre aplausos partidários e críticas contundentes nas redes, a pré-candidatura do ator inaugura uma disputa que promete extrapolar o campo eleitoral e manter aceso o debate sobre violência doméstica, responsabilidade pública e os limites entre vida pessoal e projeto político.
