A escalada da guerra no Oriente Médio começa a produzir efeitos cada vez mais dramáticos para a população civil. A Organização das Nações Unidas informou nesta terça-feira (10) que mais de 100 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no Líbano em apenas 24 horas, em meio ao avanço do conflito na região.
Segundo dados divulgados pela agência da ONU para refugiados, o número total de deslocados internos no país já ultrapassa 667 mil pessoas. A informação foi confirmada por Karolina Lindholm Billing, que acompanha a situação humanitária no território libanês. De acordo com ela, o salto repentino no número de deslocamentos revela a rapidez com que a crise tem se agravado nas últimas horas.
O Líbano acabou sendo diretamente envolvido na guerra após o movimento xiita Hezbollah, aliado do Irã, iniciar no dia 2 de março uma série de ataques com projéteis contra Israel. A ofensiva foi interpretada como uma ampliação regional do conflito que já vinha se intensificando entre Israel e forças apoiadas por Teerã.
A resposta israelense veio rapidamente. O governo de Israel passou a realizar bombardeios contra posições consideradas estratégicas no sul e no leste do território libanês. Ataques também atingiram áreas da periferia de Beirute, região conhecida por abrigar bases e redutos do Hezbollah.
De acordo com o governo libanês, os bombardeios já provocaram ao menos 486 mortes no país, além de deixar centenas de feridos e ampliar o deslocamento em massa de moradores que tentam escapar das zonas de combate.
A rápida deterioração da segurança tem pressionado a infraestrutura humanitária do país, que já enfrentava dificuldades econômicas e sociais antes mesmo da atual guerra. Abrigos improvisados, escolas e prédios públicos passaram a receber famílias que deixaram suas casas às pressas, muitas vezes levando apenas o essencial.
Organizações humanitárias alertam que, caso a escalada militar continue, o número de deslocados pode crescer de forma ainda mais acelerada nos próximos dias. Para a ONU, o cenário no Líbano representa mais um sinal de que o conflito no Oriente Médio está ultrapassando fronteiras e criando uma crise regional com graves consequências para milhões de civis.
