As obras do Hospital da Criança do Recife Antônio Carlos Figueira avançaram para a fase final e já atingiram cerca de 90% de execução. A unidade, considerada o principal equipamento de saúde em construção na capital pernambucana, tem entrega prevista para o primeiro semestre de 2026. Nesta quarta-feira (10), o prefeito do Recife, João Campos, realizou uma vistoria no canteiro de obras acompanhado do vice-prefeito Victor Marques para acompanhar o andamento dos serviços.
Localizado na Avenida Recife, no bairro de Areias, o hospital está sendo construído com investimento superior a R$ 200 milhões, fruto de parceria entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura do Recife. A unidade será voltada exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes da cidade, com serviços totalmente custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a visita, João Campos destacou o caráter estratégico do novo equipamento para a rede pública municipal. Segundo ele, o hospital foi planejado não apenas para ampliar o atendimento especializado, mas também para oferecer um ambiente mais acolhedor às famílias. O projeto inclui áreas abertas e espaços de convivência, pensados para tornar o ambiente hospitalar mais humanizado durante o tratamento.
O vice-prefeito Victor Marques ressaltou que a obra entrou na etapa mais delicada do processo, marcada pela instalação de equipamentos e pelos ajustes finais da estrutura. De acordo com ele, hospitais exigem uma complexidade técnica maior nessa fase, mas o avanço dos trabalhos indica que a unidade está próxima de ficar pronta para iniciar as operações.
Com aproximadamente 12 mil metros quadrados de área construída, o hospital terá 60 leitos — sendo 50 de enfermaria e 10 de UTI pediátrica — além de oferecer atendimento em 15 subespecialidades médicas, incluindo Pediatria, Neuropediatria, Psiquiatria Infantil, Gastroenterologia, Fisiatria, Psicologia e Odontopediatria. O complexo também contará com centro de diagnóstico, bloco cirúrgico e um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) Tipo III.
As obras são coordenadas pela Secretaria de Projetos Especiais, comandada por Marília Dantas. Segundo a secretária, a construção já superou a etapa estrutural e agora se concentra nos acabamentos e nas instalações técnicas necessárias para o funcionamento do hospital, como climatização, sistemas elétricos, gases medicinais e estruturas de acessibilidade. Também seguem em andamento os trabalhos nas áreas externas, incluindo estacionamentos, acessos e paisagismo.
Além da estrutura hospitalar tradicional, o projeto aposta em iniciativas voltadas à humanização do atendimento. O espaço contará com brinquedoteca, escola hospitalar e ambientes de convivência para pacientes e acompanhantes, oferecendo suporte durante períodos de internação e tratamento.
Um dos destaques do novo hospital será o Centro TEA/Núcleo de Desenvolvimento Integral, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento, deficiências temporárias ou permanentes e condições neurodivergentes. A estrutura terá capacidade para cerca de 1.800 atendimentos por mês e reunirá uma equipe multiprofissional composta por neuropediatras, psiquiatras infantis, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.
O núcleo também abrigará o primeiro espaço de equoterapia dentro de um hospital público do Nordeste, prática terapêutica que utiliza o cavalo como instrumento para estimular o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de crianças e adolescentes. A iniciativa nasceu a partir de diálogos da gestão municipal com mães atípicas da cidade e busca ampliar as opções de tratamento especializado na rede pública.
