A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avançou nesta quinta-feira (19) nas investigações sobre possíveis irregularidades no sistema financeiro ao aprovar convites para ouvir o atual presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto. Ambos deverão prestar esclarecimentos sobre suspeitas envolvendo empréstimos consignados e a atuação da instituição no caso do Banco Master.
A medida amplia o alcance da comissão, que inicialmente se debruçava sobre possíveis abusos em contratos de crédito consignado, mas agora passa a examinar também a conduta da autoridade monetária diante de indícios levantados por investigações da Polícia Federal. Segundo apurações, servidores do Banco Central teriam mantido vínculos com Daniel Vorcaro durante as gestões de Campos Neto, entre 2019 e 2024, e de Galípolo, a partir de 2025.
Entre os nomes citados está Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupou cargo estratégico na autarquia por anos. Ele é apontado como possível “consultor informal” do Banco Master e teria negociado a venda de uma fazenda por R$ 3 milhões para um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Outro investigado é Belline Santana, que teria recebido pagamentos para atuar de forma reiterada em favor dos interesses da instituição financeira. De acordo com a Polícia Federal, ambos teriam prestado orientações internas ao banco, revisado documentos destinados ao regulador e tentado influenciar processos administrativos em análise.
Diante da gravidade das suspeitas, os dois servidores foram afastados de suas funções em janeiro, quando o Banco Central instaurou um procedimento interno para apurar o caso. A CPMI pretende agora entender até que ponto essas condutas podem ter impactado a atuação da autarquia e se houve falhas sistêmicas de fiscalização.
Além dos depoimentos, os parlamentares aprovaram o compartilhamento de provas oriundas da CPMI do Crime Organizado, incluindo quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático relacionadas a Fabiano Zettel. A estratégia busca aprofundar a conexão entre os envolvidos e identificar eventuais ramificações do esquema.
A expectativa é que as oitivas de Galípolo e Campos Neto intensifiquem o embate político em torno do tema, já que ambos vêm sendo pressionados por diferentes grupos — o atual presidente do Banco Central pela oposição e seu antecessor por integrantes do governo. O avanço das investigações pode lançar novas luzes sobre a relação entre o setor financeiro e órgãos de regulação, colocando em xeque a integridade de processos considerados essenciais para o funcionamento do sistema econômico brasileiro.
