Em entrevista concedida ao Blog Cenário, o deputado estadual Antônio Moraes oficializou sua saída do Partido Progressista e ingresso no PSD, legenda liderada no estado pela governadora Raquel Lyra. A decisão, segundo o parlamentar, foi resultado de um processo de diálogo prolongado e de incertezas quanto ao posicionamento do PP nas articulações políticas locais.
Moraes revelou que, antes de tomar a decisão, buscou alinhar sua permanência no partido com lideranças nacionais e estaduais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Eduardo da Fonte. No entanto, diante da falta de definição sobre o rumo da sigla em Pernambuco — especialmente quanto à possibilidade de aproximação com o prefeito do Recife, João Campos —, o deputado optou por deixar o partido. Ele destacou que a decisão não foi abrupta e já vinha sendo amadurecida há algum tempo, reforçando que sua filiação ao PSD ocorreu de forma transparente.
A mudança de Moraes não foi isolada. Outros seis deputados estaduais também aderiram à legenda, fortalecendo ainda mais a base governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Conhecido por sua atuação como um dos principais articuladores da governadora na Casa, o parlamentar passa agora a ser apontado como possível líder do PSD, embora evite antecipar definições. Segundo ele, a escolha da liderança deve ser debatida em reunião entre os deputados nos próximos dias.
O cenário político recente também foi marcado por tensões entre Raquel Lyra e Eduardo da Fonte. O afastamento do deputado federal do núcleo do governo ocorreu após especulações de que ele teria buscado diálogo com João Campos, de olho em uma possível candidatura ao Senado. Com a consolidação de uma chapa envolvendo Humberto Costa e Marília Arraes ao lado do prefeito recifense, o espaço político de Da Fonte acabou reduzido, ampliando seu isolamento no atual tabuleiro eleitoral.
Apesar das divergências recentes, Moraes não descarta uma eventual reaproximação entre o líder progressista e a governadora. Para ele, o dinamismo da política permite reconfigurações inesperadas, e conflitos podem ser superados com diálogo.
Enquanto isso, o deputado avalia que, independentemente dos rumos que o PP venha a tomar, a tendência é de que os parlamentares da sigla na Assembleia permaneçam alinhados ao governo estadual. Ele afirma que há um entendimento consolidado entre os deputados de que os compromissos firmados anteriormente foram cumpridos, o que reforça a permanência da legenda na base de apoio à gestão de Raquel Lyra.
