Relatório aponta queda histórica da liberdade nos EUA e acende alerta global sobre retrocessos democráticos
O mais recente relatório da Freedom House acendeu um sinal de alerta ao indicar que os Estados Unidos registraram o menor nível de liberdade desde o início da série histórica, em 2002. Divulgado nesta quinta-feira (19), o levantamento atribui o recuo a uma expansão agressiva do poder executivo sob a liderança do presidente Donald Trump, além de apontar um cenário global de deterioração democrática pelo vigésimo ano consecutivo.
Mesmo permanecendo na categoria de país “livre”, os Estados Unidos tiveram sua pontuação reduzida para 81 em uma escala de 0 a 100 — o pior desempenho já registrado pelo país no índice. O resultado coloca a nação no mesmo patamar de África do Sul e abaixo de diversas democracias europeias, além de países como Coreia do Sul e Panamá.
De acordo com a organização, o enfraquecimento das instituições democráticas norte-americanas está ligado a uma combinação de fatores, incluindo a disfunção do poder legislativo, o fortalecimento do executivo e pressões crescentes sobre a liberdade de expressão. O relatório também menciona tentativas recentes do governo de reduzir mecanismos de controle e combate à corrupção, além de medidas como o fechamento de agências federais e o uso ampliado de agentes migratórios em operações pelo país.
O estudo ressalta que a tendência de declínio não é exclusiva dos Estados Unidos. Em 2025, apenas 21% da população mundial vive em países classificados como “livres”, evidenciando um cenário global preocupante. Em várias regiões, especialmente na África, o retrocesso democrático foi impulsionado por golpes militares, repressão a protestos e fragilização das garantias constitucionais.
A analista Cathryn Grothe, uma das autoras do relatório, destacou que, nas últimas duas décadas, o número de países que perderam status democrático superou aqueles que avançaram nesse sentido, consolidando uma tendência de erosão das liberdades civis ao redor do mundo.
Entre os poucos pontos positivos do levantamento, três países conseguiram melhorar sua classificação: Bolívia, Malaui e Fiji, que passaram a ser considerados “livres” após avanços institucionais e realização de eleições competitivas. No topo do ranking, a Finlândia aparece como o único país a alcançar a pontuação máxima de 100, enquanto o Sudão do Sul figura na última posição, com nota zero.
O relatório reforça que o mundo atravessa um período crítico para a democracia, com sinais de desgaste até mesmo em nações historicamente vistas como referências, o que amplia o debate sobre os limites do poder político e a necessidade de fortalecer instituições que garantam direitos e liberdades fundamentais.
