A defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 levou centenas de pessoas às ruas do Recife na tarde do último domingo (24). Trabalhadores, estudantes, representantes de movimentos sociais, sindicalistas e lideranças políticas participaram de uma caminhada que saiu da Rua da Aurora em direção ao Marco Zero, no Bairro do Recife, cobrando mudanças nas regras trabalhistas e mais qualidade de vida para a população.
Organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento Vida Além do Trabalho e de outras entidades sindicais, a mobilização foi marcada por faixas, cartazes e discursos em defesa da redução da carga horária sem diminuição dos salários.
Durante o percurso, participantes destacaram que a atual escala, adotada em diversos setores da economia, compromete o convívio familiar, o lazer, a qualificação profissional e os cuidados com a saúde. No carro de som que acompanhou a caminhada, lideranças sindicais reforçaram a necessidade de mudanças na legislação trabalhista.
O presidente da CUT Pernambuco, Paulo Rocha, afirmou que a redução da jornada representa uma reivindicação histórica do movimento sindical e pode contribuir para a geração de milhões de empregos formais no país. Segundo ele, a medida também ajudaria a reduzir os índices de adoecimento entre os trabalhadores, além de melhorar a produtividade.
A mobilização ocorreu às vésperas da análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema. O texto prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso, adotando o modelo de escala 5×2 sem alteração salarial. A proposta segue em tramitação na Câmara dos Deputados e tem mobilizado diferentes setores da sociedade.
A deputada federal Maria Arraes, que é coautora da PEC, demonstrou confiança na aprovação da matéria e criticou tentativas de alteração do texto original. Segundo ela, há apoio suficiente para garantir o avanço da proposta no Congresso Nacional.
Entre os participantes da caminhada, a consultora em administração para organizações da sociedade civil Juliana da Paz criticou uma emenda apresentada por parlamentares que prevê um período de transição de dez anos para a implementação da redução da jornada. Para ela, a proposta enfraquece o objetivo principal da PEC ao permitir, durante esse período, jornadas semanais que podem ultrapassar as 50 horas.
O senador Humberto Costa também participou do ato e destacou que a discussão envolve não apenas condições de trabalho, mas qualidade de vida. Em sua fala, ele lembrou conquistas históricas dos trabalhadores e defendeu que o Congresso avance em medidas que garantam mais tempo para a convivência familiar, o descanso e os cuidados com a saúde.
A deputada estadual Dani Portela ressaltou que a mobilização busca garantir que as pessoas tenham condições de trabalhar sem abrir mão do direito ao lazer, aos estudos e à realização de projetos pessoais. Ela também chamou atenção para os impactos da jornada extensa sobre mulheres e sobre a população negra, que frequentemente enfrentam condições mais precárias no mercado de trabalho.
Já a deputada estadual Rosa Amorim afirmou que a pressão popular é fundamental para manter o tema na pauta do Congresso. Segundo ela, a escala 6×1 tem levado trabalhadores à exaustão e a sociedade demonstra apoio crescente à adoção de jornadas mais equilibradas.
A vereadora do Recife Liana Cirne também defendeu mudanças na legislação e destacou os impactos da jornada sobre as mulheres. Para ela, mesmo nos dias de folga, muitas trabalhadoras continuam sobrecarregadas pelas tarefas domésticas e responsabilidades familiares, o que reduz significativamente o tempo destinado ao descanso.
Ao final da caminhada, os organizadores reforçaram a importância da mobilização popular para pressionar o Congresso Nacional e ampliar o debate sobre as condições de trabalho no Brasil. A expectativa dos participantes é que a discussão sobre o fim da escala 6×1 continue ganhando força nos próximos meses, acompanhando a tramitação da proposta em Brasília.
