Túlio Gadêlha chegou à disputa pelo Senado como uma peça importante para a estratégia de Raquel Lyra. A ideia era simples de entender: enquanto a governadora mantém uma posição de neutralidade na eleição presidencial, Túlio faria a ligação com o eleitorado de Lula e ajudaria a apresentar a chapa como uma composição capaz de conversar com campos diferentes.
O problema é que, até aqui, o eleitor não parece ter comprado essa ideia na mesma velocidade que os articuladores políticos. A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana colocou Túlio com apenas 5% das intenções de voto para o Senado, bem atrás de Marília Arraes, Humberto Costa, Mendonça Filho e Eduardo da Fonte.
O número chama atenção porque não apareceu sozinho. Ao longo da pré-campanha, Túlio vinha encontrando dificuldades para crescer.
A situação chegou a um ponto de tensão na semana que antecedeu o início da campanha. Surgiram informações de que Túlio havia decidido deixar a disputa pelo Senado e voltar à corrida por uma vaga na Câmara. Poucas horas depois, veio a reversão. O episódio foi registrado pelo JC como um momento em que Túlio teria “desistido de desistir”.
Depois da turbulência, Túlio seguiu em campo e tenta justificar sua presença na chapa justamente pelo papel que lhe foi reservado: ser a ponte entre Raquel e o voto lulista. Na própria convenção, afirmou que, se eleito, teria a missão de construir pontes com o governo Lula.
A aposta de Raquel parece estar aí. A governadora não quer se apresentar como candidata de Lula, mas também não pretende fechar a porta para o eleitor que vota no presidente. O Datafolha mostra que a estratégia de neutralidade tem produzido resultados: Raquel lidera entre os eleitores neutros e também tem vantagem entre os bolsonaristas, enquanto João Campos lidera entre os petistas.
Nesse desenho, Túlio é quase uma extensão eleitoral dessa estratégia. O problema é que ponte política não necessariamente vira voto. A campanha começou, os palanques estão montados e agora terá de transformar o discurso de diálogo em votos para ocupar uma das duas cadeiras que está em jogo no Senado.
FORÇA NA ARRANCADA
O candidato a deputado estadual Flávio Gadelha Filho mostrou força e prestígio político na última sexta (21), ao lançar sua candidatura em Abreu e Lima ao lado da chapa encabeçada por João Campos, que também esteve presente. Nome do MDB, Flávio desponta como um dos favoritos para conquistar uma cadeira na Alepe.
JOÃO QUER IPVA ZERO
João Campos afirmou que pretende vender o avião e helicópteros do Estado para bancar a promessa de zerar, a partir de 2027, o IPVA de motocicletas de até 180 cilindradas. Segundo ele, os recursos obtidos com a venda seriam utilizados para compensar a perda de arrecadação do programa.
QUINHO AVANÇA NA DISPUTA
A candidatura do ex-vereador Quinho Fenelon a deputado federal tem ganhado força. Com a campanha oficialmente nas ruas, Quinho intensificou as agendas e vem ampliando o número de apoios ao seu projeto, movimentando lideranças em Goiana e outras regiões.
MENDONÇA REAFIRMA SEU CAMPO
Candidato do PL ao Senado, Mendonça Filho inaugurou seu comitê de campanha e reforçou sua identidade política com o eleitorado de direita. Durante o discurso, afirmou ter sido perseguido por defender ideias alinhadas ao campo conservador e destacou a dificuldade de levantar essa bandeira em Pernambuco.
UM DADO QUE PESA
O que chamou atenção na pesquisa Datafolha foi a aprovação de Raquel Lyra: 66% aprovam sua atuação à frente do Governo de Pernambuco, enquanto 29% desaprovam. O dado chega justamente no início da campanha e dá à governadora um importante ativo eleitoral para a disputa pela reeleição.
IVAN QUER CÂMERAS
O candidato ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL), cobrou a instalação de câmeras corporais nas polícias Militar. O psolista questionou a demora para abertura da licitação, apesar dos cerca de R$ 24 milhões destinados pelo Governo Federal para a aquisição dos equipamentos.
