O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, entrou no radar de uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis relações entre agentes públicos, lobistas e empresários com interesses no governo federal.
Segundo mensagens obtidas pelo Estadão, Marcola teria cobrado da lobista Roberta Luchsinger um quadro avaliado em 100 mil euros, cerca de R$ 600 mil. Em conversa de dezembro de 2024, ele escreveu: “E meu quadro? kkk”. Luchsinger respondeu que a obra estava sendo emoldurada e enviou uma fotografia do objeto, que teria sido comercializado no Carrousel du Louvre, em Paris.
A defesa do ex-assessor, porém, nega que ele tenha recebido qualquer obra de arte. Os advogados sustentam que o uso de “kkk” na mensagem demonstra que a conversa teria ocorrido em tom de brincadeira e afirmam que Marcola jamais recebeu o quadro ou qualquer outro objeto da lobista.
A PF investiga se a suposta obra poderia representar, na realidade, uma forma de pagamento de vantagens em troca de facilidades dentro do governo. Entre os pontos apurados está uma possível atuação de Marcola em demandas de Luchsinger junto à Petrobras, incluindo questões que teriam envolvido a presidente da estatal, Magda Chambriard. A Petrobras nega as acusações.
O caso ganhou ainda mais atenção após Marcola admitir ter recebido transferências financeiras de Luchsinger. Ele afirma, entretanto, que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal e que a dívida, calculada em R$ 249 mil, já foi totalmente quitada.
As investigações também analisam uma possível relação entre a lobista e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, que também aparece no inquérito relacionado às suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Marcola deixou o cargo no governo em julho deste ano para participar da campanha pela reeleição de Lula. Com o avanço das apurações, afastou-se da equipe para evitar que o caso provocasse desgaste ao presidente. A defesa afirma que houve vazamento de informações do inquérito de maneira distorcida e nega qualquer irregularidade por parte do ex-assessor.
