O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram a proibição de reingresso no país por cinco anos.
Tomaz suspeita que a medida tenha motivação política, em meio a recentes embates nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo argentino. Até o momento, porém, não há comprovação de que a decisão tenha sido tomada em represália às críticas feitas pelo jornalista.
Segundo documentos da Direção Nacional de Migrações apresentados por ele, o cancelamento foi fundamentado em um decreto de 2025, que prevê a revogação da residência em determinadas situações de descumprimento das condições exigidas. As autoridades alegaram que o brasileiro não permaneceu tempo suficiente no território argentino para manter o benefício.
Tomaz contesta a justificativa. Ele obteve residência permanente em janeiro de 2022 e afirma que continuou viajando ao país, onde passou 36 dias somente em 2026. O jornalista também declarou que não foi informado previamente sobre a revogação da autorização.
Os atritos recentes envolveram apoiadores do presidente argentino e integrantes de sua equipe de comunicação, entre eles Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência. Para Tomaz, o episódio reflete uma escalada autoritária no país, mas essa avaliação não comprova a existência de perseguição política.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram a medida e manifestaram solidariedade ao profissional. As entidades defenderam o respeito à liberdade de imprensa e afirmaram que jornalistas não devem ser perseguidos ou expulsos pelo exercício da profissão.
Morador de Brasília, Tomaz acompanha a política argentina e prepara um livro sobre o governo Milei, com publicação prevista para fevereiro de 2027. Ele havia viajado ao país para registrar imagens sobre a situação econômica e social argentina, mas precisou retornar ao Brasil após ser barrado na entrada.




