Com a intensificação das chuvas, velhos problemas urbanos voltaram a emergir em Goiana — e, com eles, uma discussão incômoda: até que ponto o atual cenário de alagamentos e falhas estruturais é herança direta de intervenções realizadas sem o devido planejamento técnico durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Honório.
Moradores de diferentes localidades relatam que ruas que antes não apresentavam histórico de alagamento passaram a sofrer com acúmulo de água após obras de pavimentação realizadas nos últimos anos. A crítica recorrente aponta para a ausência de um sistema eficiente de drenagem, falhas na topografia e intervenções feitas de forma acelerada, sem integração com a infraestrutura existente.
Nos bastidores, a avaliação é que houve uma priorização da entrega rápida de obras — especialmente pavimentações — sem o devido cuidado com o escoamento das águas pluviais. Parte dessas intervenções, segundo críticos, teria sido conduzida com forte viés eleitoreiro, priorizando visibilidade imediata em detrimento de soluções estruturais duradouras.
O resultado, na prática, seria um “excesso de asfalto” sem o suporte técnico necessário, transformando ruas em pontos de retenção de água em períodos de chuva mais intensa. A equação é conhecida na engenharia urbana: impermeabilização do solo sem drenagem adequada tende a gerar alagamentos — e Goiana agora colhe esse efeito.
Aliados do ex-prefeito costumam defender que as obras representaram avanço na infraestrutura do município. Já opositores sustentam que parte significativa das intervenções foi pensada para gerar impacto político de curto prazo, sem resolver problemas históricos da cidade.
Diante das chuvas, o cenário fica mais evidente: não é apenas a água que expõe as fragilidades, mas a forma como a cidade foi preparada — ou ignorada — em termos de planejamento urbano.
