Em meio ao aquecimento do cenário político nacional para as eleições de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensifica seus movimentos para consolidar apoio em Pernambuco, um estado tradicionalmente pouco receptivo ao bolsonarismo. A estratégia faz parte da tentativa de ampliar sua presença no Nordeste, enquanto se posiciona como pré-candidato à Presidência da República.
A construção desse palanque passa por uma articulação cuidadosa com lideranças locais que dialogam com diferentes segmentos do eleitorado, formando uma base mais abrangente e diversificada. A ideia é somar perfis distintos dentro de um mesmo campo ideológico, ampliando o alcance político e reduzindo resistências históricas na região.
Entre os nomes que compõem essa engrenagem estão a deputada federal Clarissa Tércio (PP), o ex-ministro Mendonça Filho (PL), o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) e o ex-prefeito Anderson Ferreira (PL).
Com forte presença entre eleitores evangélicos e conservadores, Clarissa Tércio surge como uma das peças mais relevantes da articulação. Seu desempenho nas urnas em 2022 e a possibilidade de ganhar projeção nacional fortalecem seu papel dentro do grupo, especialmente na mobilização de uma base engajada em pautas de costumes.
Já Mendonça Filho representa um perfil mais moderado, agregando experiência administrativa e trânsito político em diferentes setores. Sua recente filiação ao PL marca uma mudança significativa em sua trajetória e contribui para aproximar o partido de segmentos mais tradicionais da política pernambucana.
No campo da mobilização, Gilson Machado atua como um dos principais nomes ligados diretamente ao bolsonarismo. Próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele mantém forte influência sobre a base mais fiel do movimento, especialmente no Nordeste, mesmo após mudanças partidárias.
Responsável por dar sustentação organizacional ao projeto, Anderson Ferreira desempenha papel central na estruturação do grupo no estado. À frente do PL em Pernambuco, ele articula alianças e trabalha para transformar apoios políticos em uma base eleitoral sólida.
Apesar da diversidade de perfis, especialistas apontam que a convivência entre essas lideranças pode gerar tensões internas. Ao mesmo tempo, o desafio maior permanece sendo o próprio cenário político local, ainda amplamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mantém vantagem expressiva nas pesquisas de opinião.
Diante desse contexto, a estratégia de Flávio Bolsonaro parece menos voltada a uma vitória imediata e mais focada em reduzir a desvantagem histórica e ampliar sua presença política no Nordeste. O movimento, ainda que não garanta sucesso nas urnas, sinaliza uma tentativa de entrar mais competitivo em um território tradicionalmente adverso.
