A novela que resultou na cassação dos mandatos dos vereadores Sérgio da SJS e André Rabicó, ambos eleitos pelo PL em Goiana, ganhou um novo capítulo. O Radar Político365 teve acesso, com exclusividade, ao inquérito policial nº 0600003-37.2026.6.17.0025, instaurado pela Polícia Federal para investigar suspeitas de falsidade documental, uso de documento falso e possível fraude processual no caso que envolveu a candidatura de Camila Maria Barros Carvalho de Mendonça e levou à anulação da chapa proporcional do partido.
A investigação decorre de representação apresentada por Sérgio da SJS e tem como noticiados Camila Maria e Rijaime Lopes Silva Júnior, presidente do Agir em Goiana.
O ponto central da apuração são uma escritura pública declaratória e uma ata notarial produzidas após a eleição de 2024. Conforme consta no procedimento, Camila havia concorrido ao cargo de vereadora pelo PL e participado da campanha, mas posteriormente declarou que sua candidatura teria sido deliberadamente falsa. Os documentos foram usados na Ação de Investigação Judicial Eleitoral que tratou da fraude à cota de gênero.
A PF agora investiga se essas declarações correspondiam aos fatos ou se foram produzidas para influenciar o julgamento eleitoral. O procedimento menciona, em tese, o artigo 350 do Código Eleitoral, referente à inserção de declaração falsa em documento público para fins eleitorais, além dos artigos 353 e 354, ligados ao uso de documento falso. A própria PF registrou que as primeiras vias dos documentos estavam em posse de Rijaime Lopes, então identificado nos autos como presidente do Agir, e foram apresentadas na ação eleitoral.
A cassação da chapa do PL abriu espaço para uma nova composição na Câmara Municipal de Goiana. Com a saída de Sérgio da SJS e André Rabicó, assumiram as cadeiras Ana Diamante, do PP, e Renato Sandré, do Agir — partido cujo presidente é um dos noticiados no inquérito.
Mesmo com a investigação ainda em fase inicial, a apuração deverá esclarecer se houve crime eleitoral na produção e no uso das provas que culminaram na cassação da chapa do Partido Liberal e na posterior redistribuição das vagas, que levou Agir e PP a ampliarem suas representações na Câmara de Goiana.
