O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu uma nova estratégia para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com foco na aproximação do eleitorado evangélico, segmento considerado decisivo para a disputa presidencial de 2026. A meta da legenda é reduzir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal adversário de Lula na corrida ao Palácio do Planalto.
Entre as principais diretrizes da campanha está evitar o debate sobre temas ligados à pauta de costumes, como legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e linguagem neutra. A avaliação do partido é de que esses assuntos costumam ser explorados por adversários para afastar eleitores evangélicos do presidente.
A estratégia também prevê associar programas sociais do governo a valores frequentemente defendidos pelas igrejas evangélicas, como proteção à família, combate à fome, solidariedade, justiça social e cuidado com os mais vulneráveis.
Além disso, o PT pretende mobilizar sua militância evangélica, estimada em cerca de 500 mil filiados, para ampliar o diálogo com igrejas e comunidades religiosas. Segundo o partido, a proposta é promover debates sobre políticas públicas e temas do cotidiano, como segurança, custo de vida e geração de oportunidades.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a legenda pretende dialogar com o segmento religioso sem utilizar a fé como instrumento eleitoral.
“Nosso projeto é o projeto das comunidades evangélicas. Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político-eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo”, declarou à revista Veja.
A direção da campanha também identificou que parte do eleitorado evangélico rejeita a utilização dos púlpitos para fins políticos. Por isso, a orientação é reforçar o discurso de respeito à autonomia das igrejas e evitar transformar templos religiosos em espaços de disputa eleitoral.
*Com informações da Revista Veja
