O governo brasileiro decidiu manter as relações diplomáticas com a Argentina no nível de encarregado de negócios enquanto continuarem os ataques do presidente argentino, Javier Milei, às instituições democráticas do Brasil. A informação foi confirmada por uma fonte do Itamaraty à AFP nesta quarta-feira (5).
A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise entre os dois países, marcada por declarações de Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “ladrão” e “corrupto”. O governo brasileiro classificou as falas como um “absoluto desrespeito” e negou que a medida tenha motivação ideológica.
O desgaste aumentou após Milei participar, em São Paulo, do ato de oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Na ocasião, o presidente argentino voltou a criticar o governo brasileiro e também fez ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Em resposta, o Brasil chamou de volta para consultas seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, e informou que manterá o relacionamento com a Argentina em nível diplomático reduzido. Já o governo argentino lamentou a decisão e afirmou que o rebaixamento das relações teve motivação política, versão rejeitada pelo Itamaraty.
