Uma das regiões mais secas da América Central enfrenta uma estiagem de proporções preocupantes. No chamado Corredor Seco, que atravessa áreas de Honduras, Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, a falta de chuva já compromete plantações, reduz os reservatórios e provoca a morte de animais.
Mais de 10 milhões de pessoas vivem nessa faixa, onde cerca de 80% dos pequenos produtores estão em situação de pobreza, segundo dados da ONU. Para muitas famílias, a agricultura de subsistência é a principal fonte de alimentação, mas o cenário mudou drasticamente com a intensificação da seca.
Em Honduras, agricultores relatam perdas nas plantações de milho e dificuldades para alimentar o gado. Em algumas comunidades, animais morreram por falta de água e pasto, enquanto produtores passaram a vender o rebanho por valores abaixo do esperado antes que novas perdas aconteçam.
A situação também preocupa moradores de El Salvador. Em El Matazano, um reservatório utilizado para abastecer a comunidade está cada vez mais seco. O calor chegou a 42°C na região, e a escassez obrigou os moradores a priorizar o uso da água. A criação de tilápias, que ajudava na alimentação das famílias, precisou ser interrompida.
Na Guatemala, comunidades indígenas também enfrentam perdas nas lavouras. Agricultores afirmam que a produção de milho pode ser totalmente comprometida, aumentando a preocupação com a segurança alimentar em um país que já enfrenta índices elevados de desnutrição infantil.
O fenômeno El Niño está entre os principais fatores associados ao agravamento das condições climáticas. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial altera padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), até 16 milhões de pessoas na América Latina podem ficar sem alimentos suficientes em consequência dos impactos do fenômeno. Meteorologistas estimam que os efeitos da atual ocorrência do El Niño poderão continuar sendo sentidos ao longo de 2027.
Enquanto governos anunciam medidas emergenciais, comunidades rurais dependem cada vez mais de organizações humanitárias para enfrentar a falta de água, alimentos e condições mínimas para manter a produção.



