A França enfrenta uma onda de protestos estudantis que já levou ao fechamento de cerca de 400 escolas de ensino médio e deixou centenas de pessoas detidas. As manifestações, que começaram na região de Paris, se espalharam por diferentes partes do país e têm sido marcadas por confrontos entre estudantes e forças de segurança.
Os manifestantes reclamam das condições das escolas, da falta de professores, de salas superlotadas e de problemas na infraestrutura das unidades de ensino. Também estão entre as reivindicações o aumento de recursos para a educação e mudanças relacionadas ao acesso às universidades.
Segundo as autoridades francesas, cerca de 400 dos aproximadamente 3.700 liceus do país permaneceram fechados nesta sexta-feira (2). O Ministério da Educação informou ainda que 564 estabelecimentos estavam afetados por manifestações ou interrupções das atividades.
O número de detenções também aumentou durante a mobilização. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que aproximadamente 2 mil pessoas haviam sido detidas desde o início dos protestos, sendo cerca de 90% menores de idade. Em um balanço anterior, divulgado pelas autoridades na quarta-feira, eram 625 detenções.
Os confrontos também deixaram feridos. Mais de 300 policiais e integrantes da Gendarmaria foram atingidos, enquanto autoridades informaram que estudantes e profissionais da educação também ficaram feridos. Em algumas cidades, houve incêndios de lixeiras, barricadas e lançamento de fogos de artifício contra policiais.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, pediu que os pais desencorajassem os filhos a participar das manifestações nas ruas. “Nas ruas, as crianças correm perigo”, afirmou o ministro à emissora BFM TV. Geffray também declarou que o movimento teria sido “sequestrado por grupos marginais violentos”.
Darmanin, por sua vez, afirmou que o movimento estudantil teria sido “sequestrado por pessoas de fora” e anunciou que pediu aos procuradores que busquem responsabilizar civilmente os pais por danos provocados pelos filhos durante os protestos. “Paguem pelos reparos”, declarou o ministro, segundo relatos da imprensa francesa.
O presidente Emmanuel Macron também se manifestou sobre a crise e afirmou que as reivindicações não justificam atos de violência. Segundo o chefe de Estado, os responsáveis políticos não devem “agitar medos e levar ao pior”, em uma referência às manifestações e à atuação de grupos políticos no movimento.
Apesar da reação do governo, sindicatos estudantis mantêm o chamado para a continuidade dos bloqueios. A mobilização ocorre em meio a debates sobre o orçamento da educação para 2027 e a preocupações com investimentos, condições de trabalho dos professores e qualidade do ensino no país.
*Com informações da Agência EFE




