O retorno do Campeonato Brasileiro após a pausa para a Data Fifa foi marcado por uma campanha de protesto contra a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu o funcionamento das casas de apostas esportivas no Brasil. Durante os jogos da 29ª rodada, mensagens contrárias à medida passaram a ser exibidas nas placas de publicidade ao redor dos campos.
A campanha, intitulada “Proibir não é proteger”, é promovida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que utilizaram espaços publicitários cedidos nos estádios para veicular as mensagens. A ação está prevista para nove dos dez jogos da rodada.
Entre as frases exibidas estão “Proibir não é proteger”, “Não se muda a regra no meio do jogo”, “Proibir quem segue as regras favorece quem?”, “A demanda não acaba, apenas muda de endereço” e “A quem interessa o mercado ilegal?”.
O protesto ocorre após uma mobilização de clubes brasileiros contra a proibição. Antes da edição da medida provisória, equipes e federações haviam divulgado um manifesto defendendo a manutenção de um mercado regulado de apostas. Os clubes argumentaram que as bets se tornaram uma importante fonte de receita para o futebol e que uma mudança abrupta poderia afetar contratos e investimentos no esporte.
A questão também chegou ao campo jurídico. Clubes e entidades ligadas ao setor de apostas passaram a questionar a medida no Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o governo federal defende a proibição. A discussão envolve, entre outros pontos, os efeitos econômicos da medida e o combate às plataformas consideradas ilegais.
O movimento ganhou ainda mais visibilidade durante as partidas do Brasileirão, transformando as placas de publicidade dos estádios em espaço para a manifestação contra a decisão do governo. No clássico entre São Paulo e Santos, disputado em 2 de outubro, mensagens semelhantes já haviam sido exibidas no Morumbis.
Com a retomada do campeonato, o debate sobre o futuro das apostas esportivas no país passa a dividir espaço também com o futebol, enquanto clubes, entidades do setor e governo aguardam os próximos desdobramentos políticos e judiciais.
Protesto contra proibição das bets no Brasileirão Foto: reprodução/CazéTV (melhorada com IA)




