A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Goiana para o biênio 2027/2028 foi parar na Justiça. O Radar Político365 teve acesso a uma ação protocolada sob o número 0004203-88.2026.8.17.2218 pede a anulação do resultado proclamado em 1º de outubro e aponta supostas irregularidades em três cédulas que favoreceram Pedro Henrique, eleito presidente por 9 votos a 8 contra Ana Diamante.
Os autores da ação são os vereadores Xande da Praia, Cid do Caranguejo, Thiago Viana, Márcio Autopeças, Edson da Farmácia e Ana Diamante. Eles alegam que as três cédulas deveriam ter sido anuladas conforme as regras do próprio edital da eleição, mas acabaram contabilizadas na apuração.
A primeira cédula apresenta, segundo a petição, marcações sobrepostas e borrões nos cinco campos de votação. A nona contém marcações repetidas em formato semelhante ao de um peixe, que os autores consideram um possível sinal de identificação do votante. Já a décima registra Edson da Farmácia para o cargo de primeiro vice-presidente, embora, conforme a ação, ele tivesse registrado candidatura apenas para primeiro secretário.
O ponto central da contestação é que as três cédulas receberam votos para Pedro Henrique na disputa pela Presidência. Se fossem anuladas, segundo os cálculos apresentados pelos vereadores, o resultado cairia de nove para seis votos para Pedro Henrique, enquanto Ana Diamante permaneceria com oito. A mudança colocaria em xeque o resultado proclamado pela Câmara.
A ação também questiona a forma como a votação foi apurada. Os vereadores afirmam que as cédulas não foram misturadas antes da contagem e que os votos foram retirados na ordem em que haviam sido depositados e anunciados em voz alta. Para os autores, o procedimento pode ter comprometido o sigilo do voto e permitido associar cédulas a determinados parlamentares.
O edital de convocação previa a anulação de cédulas com marcas capazes de identificar o votante, rasuras ou votos em vereadores que não tivessem registrado candidatura para o cargo disputado. É com base nessas regras que os autores sustentam que a apuração desrespeitou as normas estabelecidas para a eleição.
Os vereadores pedem à Justiça que suspenda os efeitos do resultado e impeça a posse da Mesa Diretora até a decisão do caso. No julgamento final, querem a anulação da eleição de 1º de outubro e a realização de um novo pleito até 31 de dezembro de 2026. Como alternativa, solicitam que as três cédulas sejam desconsideradas e que haja nova votação para os cargos afetados.
A ação também requer que a Câmara preserve e apresente as cédulas originais, a ata da sessão, a lista de presença e a gravação audiovisual, caso exista, para permitir a análise dos procedimentos adotados.
A disputa é mais um capítulo de uma eleição que já enfrentou questionamentos judiciais. O pleito anterior, realizado em março de 2025 para o mesmo biênio, teve seus efeitos suspensos por decisão liminar em agosto de 2026, em ação movida pelo Ministério Público de Pernambuco com fundamento no entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a contemporaneidade das eleições das Mesas Diretoras. Depois disso, a Câmara anulou a eleição anterior e convocou o novo pleito de outubro.




