Nos últimos seis meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu sua presença nas redes sociais encolher drasticamente, com a perda de mais de 1 milhão de seguidores em suas contas no Instagram e no Facebook. O número expressivo acende um alerta sobre a crescente insatisfação digital com o governo, impulsionada por episódios que repercutiram negativamente entre os usuários.
De acordo com monitoramento da consultoria Ativaweb, o mês de abril marcou o maior êxodo de seguidores: 240 mil pessoas deixaram de acompanhar o presidente. O período coincidiu com a crise dos descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, que gerou uma onda de indignação. Foram 2,88 milhões de menções em 24 horas, e quase 80% delas apontavam críticas ao governo.
Maio também foi turbulento. O aumento do IOF anunciado e recuado no mesmo dia provocou outra avalanche de rejeição. A consultoria identificou que 89% das menções ao episódio foram negativas, atingindo diretamente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O CEO da Ativaweb, Alek Maracajá, classificou o caso como um “desastre estratégico”, reforçando a imagem de um governo que, aos olhos da população, onera o contribuinte.
Mesmo regiões tradicionalmente simpáticas ao petista, como o Nordeste, demonstraram insatisfação: 28,4% das postagens sobre as crises vieram dessa área. O Norte foi responsável por 20,3% das menções, seguido por Sudeste (18,7%), Centro-Oeste (17,7%) e Sul (14,9%).
A primeira-dama Janja da Silva também esteve no centro das polêmicas que alimentaram o desgaste. Suas declarações favoráveis à regulação das redes sociais nos moldes chineses, inclusive mencionadas em jantar com o presidente Xi Jinping, foram duramente criticadas por internautas. O resultado? 73% de postagens negativas direcionadas à socióloga e a perda de mais 190 mil seguidores das contas presidenciais.
Atualmente, Lula ainda mantém uma base considerável de 18,9 milhões de seguidores — sendo 13,3 milhões no Instagram e 5,6 milhões no Facebook. No entanto, a queda contínua reflete um desafio crescente: reconquistar a confiança de uma audiência digital cada vez mais exigente e atenta.
Foto: EFE/Enrique García Medina.
