O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, propôs formalmente nesta quinta-feira a realização de uma reunião direta com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Em uma carta aberta, o líder ucraniano ofereceu o estabelecimento de um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações para encerrar o conflito armado, que se encontra estagnado e representa o confronto mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A proposta ocorre em um cenário de ataques mútuos contínuos, com incursões ucranianas em territórios russos e ocupados em resposta aos bombardeios diários promovidos por Moscou desde fevereiro de 2022.
Em pronunciamento durante um fórum econômico em São Petersburgo, Vladimir Putin declarou estar disposto a negociar uma saída para a guerra, sinalizando como base as conversas anteriores mantidas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o governo russo mantém a exigência de concessões políticas e territoriais, incluindo o controle da região de Donetsk, no Donbass. A Ucrânia recusa as condições por considerá-las uma rendição. Paralelamente, Washington enfrenta uma nova frente de crise no Oriente Médio, o que, segundo a avaliação de Putin, tem concentrado a atenção prioritária da administração americana no momento.
No aspecto militar, os combates permanecem ativos em diversas frentes. Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que as forças ucranianas recuperaram cerca de 282 quilômetros quadrados em maio, reduzindo a área controlada por Moscou pelo segundo mês consecutivo, embora tropas russas sigam infiltradas na maior parte dessas regiões. Em contrapartida, Putin afirmou que o exército russo avança ao longo da linha de frente e anunciou planos para reforçar o sistema de defesa antiaérea após ataques de drones em São Petersburgo, sem descartar a ampliação do uso de mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik.
