Em meio à pressão política e à resistência do Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como forma de garantir o financiamento de políticas públicas e evitar cortes no orçamento. Em entrevista ao podcast Mano a Mano, apresentado por Mano Brown e Semayat Oliveira, Lula afirmou que a proposta do governo é parte de uma busca por justiça tributária.
— O IOF do Haddad [ministro da Fazenda] não tem nada demais — declarou o presidente, em referência ao plano do ministro Fernando Haddad para mudar as regras do imposto. A proposta inclui aumento das alíquotas e ampliação da base de cobrança, atingindo setores como bancos, fintechs e casas de apostas (“bets”).
— O Haddad quer que as bets paguem mais imposto de renda; que as fintechs paguem; que os bancos paguem. Só um pouquinho, para a gente poder fazer a compensação — justificou Lula, ao explicar que o objetivo é evitar cortes em áreas essenciais toda vez que o governo precisa cumprir o novo arcabouço fiscal.
As declarações vêm no mesmo momento em que a Câmara dos Deputados acelerou a tramitação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 314/25), que pode suspender os efeitos do decreto do governo sobre o IOF. A urgência do projeto foi aprovada por ampla maioria: 346 votos a favor e 97 contra. A medida permite que o texto seja votado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões da Casa.
Lula, porém, insiste na importância da mudança como instrumento de equilíbrio fiscal sem sacrificar os mais pobres.
— A gente quer fazer justiça tributária. Queremos que as pessoas que ganham mais, paguem mais impostos. Que quem ganha menos, pague menos. E que as pessoas vulneráveis não paguem impostos — afirmou o presidente.
A equipe econômica do governo tem buscado alternativas para compensar os cortes no Orçamento Geral da União, especialmente após o anúncio, em maio, de um contingenciamento de R$ 31,3 bilhões para cumprir a meta fiscal prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Na época, o governo chegou a propor um aumento mais agressivo no IOF, mas recuou diante da reação negativa do setor produtivo e de parlamentares, inclusive da base aliada.
Agora, com um discurso mais moderado e centrado na justiça social, Lula tenta reconquistar apoio popular e político para a reforma, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de manter a governabilidade diante de um Congresso cada vez mais resistente a novos tributos.
*Com informações da Agência Brasil
