A gestão do prefeito de Gravatá, Joselito Gomes, volta ao centro das atenções após o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) emitir um Alerta de Responsabilização por possível uso indevido dos festejos juninos para promoção pessoal da primeira-dama e secretária de Obras do município, Viviane Gomes, que também é pré-candidata a deputada estadual. O alerta foi assinado pelo conselheiro Dirceu Rodolfo, com base na reiterada presença de Viviane em eventos artísticos patrocinados pela Prefeitura.
Durante as festas, Viviane subiu ao palco ao lado de artistas de renome nacional como Wesley Safadão, João Gomes, Waldonys, Cristina Amaral e Benil. A participação da primeira-dama, segundo o TCE, pode configurar promoção pessoal com recursos públicos, em desacordo com os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade administrativa previstos no artigo 37 da Constituição.
O Tribunal ainda pontuou que a presença recorrente e destacada de agentes políticos em ações públicas pode representar uma afronta direta à legislação, especialmente em ano pré-eleitoral. O caso está sob análise por meio de uma Medida Cautelar que pode resultar em uma Auditoria Especial e, eventualmente, no encaminhamento dos autos ao Ministério Público para avaliação de atos de improbidade administrativa ou infrações eleitorais.
O episódio se soma a outros questionamentos que têm envolvido a gestão municipal. Em dezembro de 2024, a Justiça de Gravatá acolheu recomendação do Ministério Público Estadual e determinou a exoneração de Viviane Gomes do cargo de secretária de Obras por nepotismo e ausência de qualificação técnica. A recomendação foi motivada pela constatação de que a nomeação feriria os princípios da administração pública.
Nos bastidores da cidade, crescem as denúncias de irregularidades encaminhadas por cidadãos e lideranças políticas locais aos órgãos de controle como TCE-PE, MPPE e até à Polícia Civil, alimentando um ambiente político cada vez mais turbulento. O alerta do TCE representa mais um capítulo de uma gestão que, ao que tudo indica, continuará sob os holofotes — não apenas dos palcos, mas também dos órgãos de fiscalização.
Foto: Reprodução/Instagram Viviane Fagundes.
