A morte da jovem brasileira Juliana Marins, que caiu de um penhasco durante uma trilha ao vulcão Rinjani, na Indonésia, comoveu o país e abriu um novo debate sobre o papel do governo em situações trágicas envolvendo cidadãos no exterior. Mesmo diante da repercussão nacional, o Itamaraty informou que não ajudará a custear o traslado do corpo ao Brasil, deixando a responsabilidade integral com a família.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o transporte de corpos não está entre as atribuições custeadas com recursos públicos, conforme determina o §1º do artigo 257 do Decreto 9.199/2017. Cabe às embaixadas e consulados apenas oferecer apoio burocrático, como orientações, contato com autoridades locais e emissão de documentação.
Juliana estava viajando sozinha pela Ásia quando sofreu o acidente no último sábado (21). Segundo relatos, ela se distanciou do grupo de trilheiros após pedir uma pausa. O guia contratado seguiu com os demais turistas e deixou a jovem para trás, prometendo reencontrá-la adiante. Sozinha, ela escorregou e caiu de uma altura de 300 metros, ficando isolada por quase quatro dias sem mantimentos, à espera de socorro.
O resgate só aconteceu na terça-feira (24), quando Juliana já não apresentava sinais de vida. Seu corpo foi içado por uma equipe de resgate e levado ao Hospital Bayangkara. O episódio gerou forte comoção nas redes sociais e levantou críticas sobre uma possível negligência da empresa responsável pelo passeio e pela demora no resgate.
Familiares da brasileira criaram um perfil no Instagram para compartilhar atualizações e prometeram lutar por justiça. “Se a equipe tivesse chegado até ela dentro de um prazo estimado de 7h, Juliana ainda estaria viva. Juliana merecia muito mais”, escreveu a família.
O governo brasileiro, por sua vez, reforçou que não divulga detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros no exterior e que segue as normas vigentes. A negativa de apoio financeiro para o traslado, porém, gerou revolta entre internautas, amigos e personalidades públicas, que esperavam sensibilidade diante da tragédia.
Enquanto familiares tentam levantar recursos para trazer Juliana de volta ao país, cresce a pressão por esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos no acidente, tanto na esfera privada quanto nas instituições que deveriam zelar pela segurança dos turistas.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo Pessoal.
