No dia 11 de junho, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que busca incluir mulheres negras nas futuras cédulas e moedas do Brasil. A proposta, que visa reconhecer e homenagear figuras femininas que se destacaram na luta pelos direitos das mulheres e no combate ao racismo, modifica a Lei 4.595/64, que regula a política monetária do país.
A ideia central do projeto é que o Banco Central selecione, com o apoio das comissões de Direitos Humanos e da Mulher da Câmara, personalidades femininas e negras que tenham feito contribuições significativas à sociedade. A proposta foi inicialmente apresentada pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e recebeu ajustes pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), relatora do projeto. Entre as mudanças, Benedita optou por retirar a ideia de realizar uma consulta pública para a escolha das personalidades, alegando que o processo seria complexo e difícil de implementar em escala nacional.
“A ideia de ter uma consulta pública com cerca de 500 mil urnas espalhadas pelo país para coletar a opinião da população seria muito difícil de viabilizar. Por isso, preferimos um processo mais direto e pragmático para garantir a seleção das mulheres que realmente fizeram a diferença”, explicou Benedita.
A deputada também destacou que, ao longo dos mais de 30 anos de circulação das cédulas de real, a única representação feminina nas notas tem sido a figura abstrata da República, retratada de forma genérica como mulher. “Por essa razão, a ideia do projeto é muito oportuna e necessária. Queremos dar visibilidade a mulheres que foram fundamentais para a história do Brasil e que, até agora, não tiveram o reconhecimento merecido”, afirmou Benedita.
Após a aprovação na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, o projeto passará por outras comissões, incluindo as de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça, antes de ser votado no plenário da Câmara. Se aprovado, seguirá para o Senado e, por fim, poderá ser sancionado pelo presidente da República.
A proposta gerou debate sobre a importância de dar visibilidade a mulheres negras, que frequentemente são deixadas de lado nas narrativas oficiais e na representatividade histórica do país. Com a inclusão dessas figuras nas cédulas, a ideia é fortalecer a presença de mulheres negras nas esferas públicas e oferecer um simbolismo poderoso de valorização e justiça social.
*As informações são da Agência Câmara de Notícias
