O deputado estadual Sileno Guedes (PSB) criticou a decisão da governadora Raquel Lyra (PSD) de não solicitar o envio da Força Nacional ao município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Segundo o parlamentar, o governo estadual estaria ocultando dados recentes que mostram aumento de 12,4% nas mortes violentas intencionais na cidade entre 2023 e 2024, com o objetivo de sustentar um discurso de redução da criminalidade vinculado ao programa Juntos pela Segurança.
De acordo com dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), o número de homicídios no Cabo passou de 137 casos em 2023 para 154 em 2024. Sileno contesta o recorte utilizado pelo governo para justificar a recusa à solicitação feita pelo prefeito Lula Cabral, alegando que o Executivo se apoiou apenas nos dados de 2023 e em um intervalo parcial de 2025, sem considerar o crescimento total registrado no ano anterior.
O deputado também destaca que, nos cinco primeiros meses de 2025, foram registrados 68 homicídios na cidade — número inferior aos 76 do mesmo período de 2024, mas ainda 36% maior que os 50 casos registrados entre janeiro e maio de 2023. Para Sileno, esse comparativo evidencia que o cenário de violência permanece elevado e que o programa de segurança estadual não tem surtido o efeito desejado no município.
Diante do quadro, o parlamentar anunciou que pretende propor ações na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), como o envio de pedidos de informação ao Executivo estadual, buscando esclarecimentos sobre as medidas adotadas para reduzir os índices de criminalidade no Cabo. Ele também sugeriu articulação semelhante à que garantiu a permanência do batalhão da Polícia Militar em São Lourenço da Mata, no início do ano.
Ao final de sua declaração, Sileno Guedes reiterou solidariedade ao prefeito Lula Cabral e à população do Cabo, criticando o que chamou de “distanciamento entre o discurso do governo e a realidade enfrentada nas ruas”.
