Em nova reportagem publicada neste domingo (29), a revista britânica The Economist adotou um tom crítico em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliando que seu governo vem se tornando cada vez mais distante das nações ocidentais e enfrentando perda de influência tanto no cenário internacional quanto dentro do próprio Brasil. A publicação, que em 2022 havia saudado a vitória de Lula como um marco positivo para a democracia brasileira, agora fala em “sonhos desbotados” e projeta um possível retorno da direita ao poder em 2026.
A ilustração escolhida para acompanhar o texto mostra Lula segurando um balão com as cores da bandeira brasileira, prestes a ser estourado por uma mão gigante com um alfinete — metáfora visual para a fragilidade percebida de seu atual posicionamento.
A revista afirma que o Brasil tem se afastado do Ocidente e reforçado laços com países autoritários, como China, Rússia e Irã, dentro do bloco dos Brics. Segundo o texto, o país “parece cada vez mais hostil ao Ocidente”, e o governo Lula teria se mostrado relutante em estreitar relações com os Estados Unidos após a vitória de Donald Trump, ao mesmo tempo em que adota um discurso mais próximo ao de regimes considerados autoritários.
O artigo também destaca a resposta do Ministério das Relações Exteriores brasileiro condenando os ataques dos EUA ao Irã, classificada pela publicação como “agressiva” e destoante da posição de outras democracias ocidentais. Nesse contexto, especialistas ouvidos, como o professor Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam que o Brasil pode enfrentar dificuldades crescentes em manter uma posição de não alinhamento dentro dos Brics, à medida que China e Rússia reforçam suas agendas no bloco.
Internamente, a revista observa sinais de fragilidade política, como a revogação do decreto que aumentava o IOF, considerada uma derrota para o Executivo no Congresso. A matéria sugere que a falta de articulação com aliados e a dificuldade em dialogar com governos da região, como o da Argentina de Javier Milei, refletem um cenário de menor liderança regional para o Brasil.
O texto conclui com uma análise sobre o futuro político do país, avaliando que, embora o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrente problemas legais, ainda é uma figura influente. Caso a direita se reorganize em torno de um novo nome competitivo, a presidência em 2026 pode voltar para esse campo político, projeta a revista.
