Durante sua passagem por Buenos Aires para a cúpula do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou na última quinta-feira (3) uma visita de caráter pessoal e simbólico à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após condenação por corrupção. O encontro, autorizado judicialmente, aconteceu no apartamento da líder peronista, e reacendeu o debate político em torno da relação entre os dois ex-chefes de Estado e o futuro da esquerda latino-americana.
“Tenho por Cristina uma amizade de muitos anos que vai muito além da relação institucional”, declarou Lula, segundo a Agência Brasil. “Um carinho e afeto de amigos, companheiros de campo político e de ideais de justiça social e combate às desigualdades.”
Cristina, de 72 anos, está em prisão domiciliar desde 17 de junho, após a ratificação de uma sentença de seis anos de prisão por irregularidades em contratos de obras públicas durante os mandatos dela e do falecido marido, Néstor Kirchner. Apesar da condenação, a ex-presidente ainda conta com significativo apoio popular, especialmente entre setores do peronismo e movimentos sociais argentinos.
Nas redes sociais, Lula compartilhou uma foto sorridente ao lado de Cristina e reiterou seu apoio político e pessoal à aliada histórica: “Desejei toda a força para seguir lutando com a mesma firmeza que tem sido a marca de sua trajetória na vida e na política. Pude sentir nas ruas o apoio popular que tem recebido, e sei bem o quanto é importante esse reconhecimento nos momentos mais difíceis.”
A visita de Lula ocorre em um momento de desafios tanto para a democracia na região quanto para os líderes progressistas da América do Sul. O gesto é interpretado por analistas como um recado de solidariedade, mas também como uma tentativa de manter viva a articulação de um campo político que enfrenta forte resistência judicial e desgaste institucional em vários países.
Lula esteve em Buenos Aires para assumir a presidência rotativa do Mercosul, mas a visita à ex-presidente argentina acabou dividindo opiniões. Enquanto aliados defendem a atitude como um gesto de lealdade e empatia, críticos apontam o risco político de se associar a uma figura pública condenada por corrupção.
*Com informações da Agência EFE
