O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), surpreendeu parlamentares ao incluir de forma repentina, nesta sexta-feira (4), o projeto de lei que libera o funcionamento de cassinos, bingos e jogo do bicho no país na pauta do plenário para a próxima terça-feira (8). A proposta, relatada pelo senador Irajá Abreu (PSD-TO), já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho do ano passado por uma votação apertada: 14 votos a favor e 12 contrários.
O projeto havia sido articulado para votação ainda em dezembro, mas, diante do risco de derrota, teve sua análise adiada e desde então estava parada no Senado. Se for aprovado sem alterações, seguirá direto para sanção presidencial, já que mantém o mesmo conteúdo aprovado pela Câmara dos Deputados em 2022.
A decisão de Alcolumbre de colocar o tema em votação causou críticas de parlamentares, sobretudo porque ele também cancelou a tradicional reunião de líderes partidários desta semana, realizada às quintas-feiras. Questionado pela Folha de S.Paulo sobre o cancelamento, Alcolumbre limitou-se a dizer que é prerrogativa da presidência do Senado.
Entre os críticos da medida está o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que classificou como preocupante a retomada do debate sobre a legalização dos jogos em meio ao que chamou de “tragédia humanitária” provocada pelas bets no Brasil. Ele defendeu a mobilização popular contra o projeto. “É fundamental que o cidadão brasileiro manifeste sua opinião junto ao seu senador enquanto há tempo. Precisamos nos mobilizar para impedir que mais esse mal avance no ‘Coração do Mundo, Pátria do Evangelho’”, escreveu.
A votação do projeto acontece em meio a intensas discussões sobre os impactos sociais das apostas, principalmente as bets, no orçamento familiar brasileiro. Recentemente, o Senado realizou uma CPI sobre jogos de apostas, mas o relatório final da comissão foi rejeitado.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
