O governo da Rússia reconheceu oficialmente a existência de censura nos meios de comunicação do país. A admissão foi feita nesta sexta-feira (11) por Dmitri Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, em entrevista à revista Ekspert. Segundo ele, o país vive um período de “censura de guerra”, classificado como “sem precedentes” na história recente da Rússia.
“Agora estamos em tempos de censura de guerra, algo sem precedentes em nosso país, mas a guerra também é travada no campo informativo”, declarou Peskov, ao justificar as restrições impostas a veículos de imprensa considerados opositores ao regime. Para o porta-voz, o controle sobre a narrativa nacional seria necessário para conter o que chamou de tentativas de “desacreditar a Rússia”.
A fala confirma o cenário de repressão à liberdade de expressão que se agravou desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022. O Kremlin tem intensificado a perseguição a jornalistas independentes, restringido sites de notícias estrangeiros e promovido processos judiciais contra críticos do governo e da ofensiva militar.
Peskov afirmou que o regime de censura poderá ser relaxado futuramente, mas descartou qualquer retorno à atuação de veículos como o portal Meduza, conhecido pela postura crítica ao governo e que hoje opera a partir da Letônia após ser rotulado como “organização indesejável” na Rússia. “Não se voltará aos tempos de furibundas ‘medusas’, que só têm palavras ruins sobre a Rússia”, disse.
O porta-voz também elogiou o aumento da presença de conteúdos com “tom patriótico” na mídia russa, ressaltando a preferência do governo por veículos que reforcem a visão oficial. Desde a chegada de Putin ao poder, o Kremlin vem consolidando o controle sobre emissoras e portais de notícias, tanto por meio de aquisições diretas quanto por pressão regulatória.
A postura oficial de admitir e justificar a censura marca um novo estágio da repressão informativa no país e reafirma a estratégia do governo russo de usar o aparato midiático como extensão do seu projeto político e militar.
*Com informações da Agência EFE
