A moa gigante, uma das maiores aves que já existiu na Terra, pode voltar à vida por meio de um projeto de desextinção liderado pela empresa de engenharia genética Colossal Biosciences. A espécie, extinta há aproximadamente 600 anos, era nativa da Nova Zelândia, não possuía asas, alimentava-se de plantas e podia alcançar até três metros de altura.
O projeto recebeu um financiamento de mais de 15 milhões de dólares — cerca de 83 milhões de reais — do diretor de cinema Peter Jackson, criador da saga O Senhor dos Anéis e entusiasta da espécie. Ele é conhecido por colecionar fósseis de moa e demonstrou grande interesse em apoiar a recuperação do animal.
A equipe da Colossal trabalhará em parceria com o Centro de Pesquisa Ngāi Tahu da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. Os cientistas pretendem extrair e mapear o DNA da ave a partir de fósseis preservados. Em seguida, irão editar geneticamente o genoma de uma ave viva que tenha parentesco com a moa, como a ema, por exemplo, com o objetivo de recriar suas características. Os embriões gerados serão incubados e os filhotes criados em ambientes de renaturalização fechados, até que estejam aptos para sobreviver de forma independente.
A expectativa é que o processo seja concluído em um período entre cinco e dez anos. A ideia é que, futuramente, os animais possam ser reintroduzidos na natureza, contribuindo para a restauração de ecossistemas e para a correção de impactos ambientais causados pela ação humana.
A Colossal Biosciences já esteve à frente de outros projetos semelhantes. Em 2024, a empresa anunciou o nascimento dos filhotes de lobo-terrível Rômulo e Remo, e em janeiro de 2025, o terceiro exemplar da espécie, batizado de Khaleesi. A companhia também já conseguiu realizar com sucesso a desextinção do camundongo-lanoso.
Apesar do entusiasmo, esse tipo de iniciativa ainda gera discussões éticas e ambientais. Alguns especialistas defendem que o foco deveria ser a conservação de espécies atuais ameaçadas de extinção, enquanto outros acreditam que trazer animais extintos de volta pode ajudar a reequilibrar ecossistemas degradados.
Ainda assim, os cientistas da Colossal afirmam que a proposta é mais do que simbólica. Para eles, reviver a moa gigante representa um avanço no uso da biotecnologia em prol da preservação ambiental e da correção de erros históricos. Se bem-sucedido, o projeto marcará um novo capítulo na relação entre ciência e natureza.
