A Câmara dos Deputados já desembolsou R$ 807,5 mil em salários para Gabriela Batista Pagidis, uma fisioterapeuta de 30 anos que, embora esteja oficialmente lotada como secretária parlamentar no gabinete do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), não cumpre expediente na Casa. Lotada desde 1º de junho de 2017, Gabriela teve sua remuneração variando entre R$ 1.550,66 e R$ 16.714,06 ao longo dos anos.
Apesar do vínculo formal com a Câmara, Gabriela trabalha como fisioterapeuta em clínicas particulares de Brasília. Às segundas e quartas-feiras, atende no Instituto Costa Saúde, enquanto às terças e quintas atua no Centro Clínico Bandeirantes, durante o período da tarde — horários que coincidiriam com suas supostas atividades no Congresso.
Na última sexta-feira (11), Gabriela foi vista em uma academia por volta das 11h e, posteriormente, no Zoológico de Brasília durante o horário de expediente. A informação foi revelada pela coluna de Tácio Lorran, do portal Metrópoles, que solicitou dados de acesso da funcionária por meio da Lei de Acesso à Informação. A Câmara, no entanto, declarou que servidores com crachá não têm registro obrigatório na portaria e que o controle de frequência é de responsabilidade exclusiva do gabinete parlamentar.
Gabriela já havia exercido o mesmo cargo de secretária parlamentar no gabinete do então deputado Wilson Filho em 2014, hoje secretário de Educação da Paraíba e aliado político de Hugo Motta. Somando os dois períodos como funcionária fantasma, os vencimentos pagos a ela ultrapassam R$ 890,5 mil.
A situação expôs mais um caso entre outros dois casos semelhantes ligados ao gabinete de Hugo Motta, também revelados pela imprensa. Questionado, o deputado afirmou por meio de nota que exige o “cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”.
