Durante a abertura do 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), realizada nesta quinta-feira (17) em Goiânia (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil irá passar a cobrar impostos de empresas de tecnologia dos Estados Unidos. A declaração foi feita sem apresentação de detalhes técnicos ou prazos para implementação da medida, mas sinaliza uma possível mudança na política tributária voltada para plataformas digitais internacionais.
Segundo Lula, o ex-presidente e atual mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou desconhecimento sobre a balança comercial entre os dois países ao se posicionar contra a tributação de empresas americanas no Brasil. O petista afirmou que os EUA, na realidade, são superavitários na relação comercial com o Brasil, e que o país tem o direito de adotar medidas fiscais próprias sobre companhias estrangeiras que atuam em seu território.
“Ele [Trump] disse: ‘Eu não quero que as empresas de plataforma norte-americanas sejam cobradas no Brasil’. O mundo tem que saber que o Brasil só é soberano porque o povo brasileiro tem orgulho desse país. E eu queria dizer para vocês que a gente vai julgar e vai cobrar imposto das empresas digitais norte-americanas”, declarou Lula.
O presidente brasileiro também fez críticas diretas à capacidade de negociação de Trump, afirmando que o norte-americano “jamais negociou 10%” do que ele próprio já teria negociado ao longo da vida. Lula reforçou que a defesa do Brasil por um sistema multilateral de governança global segue sendo uma prioridade de sua política externa, destacando a importância do diálogo e do respeito entre os Estados.
“O Brasil é defensor do multilateralismo, porque depois da Segunda Guerra Mundial, o multilateralismo permitiu que os Estados pudessem viver mais ou menos em harmonia, com respeito à soberania de cada Estado. Nada é conseguido na marra, mas é conseguido na boa conversa”, afirmou o presidente.
A cobrança de impostos sobre grandes empresas de tecnologia tem sido tema de discussão em diversos países, especialmente diante do crescimento do setor digital e da ausência de tributações proporcionais à atuação dessas companhias nos mercados locais. Ainda não foram divulgadas propostas formais ou projetos de lei no Congresso Nacional sobre o tema no Brasil.
