Uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Brasil pode colocar em xeque o acesso a tecnologias cruciais para o funcionamento do país, como sistemas de satélite e GPS. Informações publicadas pela Folha de S.Paulo revelam que o presidente norte-americano Donald Trump considera impor severas sanções contra o Brasil em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, nesta sexta-feira (18), tornou Jair Bolsonaro inelegível e impôs novas medidas judiciais contra o ex-presidente brasileiro.
Segundo fontes ligadas ao Departamento de Estado americano e próximas ao ex-presidente Bolsonaro, Trump teria interpretado as decisões do STF como uma afronta direta a ele próprio e aos Estados Unidos. “Foi o mesmo que uma declaração de guerra”, teria afirmado Trump, sinalizando que retaliará de forma dura e abrangente.
Entre as possíveis medidas em estudo estão o bloqueio de sinal de satélites e GPS utilizados no território brasileiro — o que afetaria comunicações, transporte aéreo, agricultura de precisão, sistemas logísticos e até aplicativos de mobilidade. Além disso, há rumores sobre a duplicação de tarifas comerciais, saltando de 50% para 100%, o que impactaria drasticamente a balança comercial e setores estratégicos da economia.
Outro ponto alarmante seria o possível envolvimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na aplicação de punições indiretas ao Brasil, isolando ainda mais o país em questões de cooperação internacional em segurança e tecnologia.
Diplomatas brasileiros acompanham com apreensão os desdobramentos. Embora o governo atual ainda não tenha se manifestado oficialmente, interlocutores ouvidos pela imprensa admitem que o cenário é de “alerta máximo” e que as consequências práticas de um bloqueio satelital ou de GPS seriam “catastróficas” para a infraestrutura nacional.
A crise se intensifica em um momento de grande instabilidade política interna e pressões externas crescentes. A expectativa é que, a partir do dia 21, novas ações sejam anunciadas por aliados de Trump, ampliando ainda mais a tensão diplomática entre Brasília e Washington.
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