As eleições realizadas neste domingo (20) para a Câmara dos Conselheiros do Japão, equivalente ao Senado, redesenharam o equilíbrio político no país e marcaram a ascensão da direita. O partido conservador Sanseito, que disputou sob o lema nacionalista “Japão em primeiro lugar”, conquistou 14 cadeiras e se consolidou como a terceira maior força de oposição na Casa, em um resultado que surpreendeu o cenário político nacional.
A votação representou um revés significativo para a coalizão governista liderada pelo Partido Liberal Democrata (PLD), do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, e seu parceiro histórico, o Komeito, de orientação budista. Juntos, os dois partidos conquistaram apenas 47 assentos — três a menos do que o necessário para manter a maioria simples. Ao final da apuração, a coalizão contabilizou 122 das 248 cadeiras do Senado, sinalizando um novo período de instabilidade legislativa para o Executivo.
O enfraquecimento da base governista no Senado agrava o quadro político do Japão, que já havia sofrido abalos nas eleições gerais de outubro passado, quando a coalizão perdeu força também na Câmara dos Deputados. A perda de controle sobre ambas as casas da Dieta, o Parlamento japonês, aumenta a pressão interna sobre Ishiba, inclusive com rumores de que lideranças do PLD possam pedir sua renúncia.
Apesar do revés, o primeiro-ministro descartou mudanças imediatas. Em pronunciamento após o resultado, Ishiba afirmou não ter intenção de ampliar a coalizão com outros partidos de oposição e negou a possibilidade de uma reformulação ministerial. “Ainda somos o partido com a maior representação. Apesar do duro golpe e das muitas dificuldades, muitas pessoas nos apoiaram fortemente”, declarou, em tom de resiliência.
No campo oposicionista, o Partido Democrático Constitucional do Japão (CDP), de viés liberal e progressista, conquistou 22 cadeiras e manteve-se como principal força à esquerda. Já o Partido Democrático para o Povo (PDP), de orientação reformista, obteve 17 assentos.
O crescimento do Sanseito, com sua retórica nacionalista e foco em soberania econômica e valores tradicionais, reflete um avanço do conservadorismo entre setores do eleitorado japonês, especialmente em meio a crescentes tensões regionais e desafios econômicos internos. O resultado pressiona o governo a encontrar novas formas de diálogo político e articulação legislativa diante de um Parlamento mais fragmentado e ideologicamente polarizado.
*Com informações da Agência AE
