A Ucrânia optou por não nomear um novo embaixador para o Brasil, aprofundando o clima de distanciamento diplomático entre os dois países. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (21) pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, após reunião com o chanceler Andrii Sybiha, na qual foram indicados 16 novos embaixadores para outras nações — deixando o posto em Brasília vago.
Desde a saída de Andrii Melnyk, em junho, para assumir uma função na ONU, a missão diplomática ucraniana no Brasil está sem liderança. Embora o Itamaraty negue qualquer crise, no meio diplomático a ausência de um embaixador costuma ser interpretada como sinal de descontentamento com o país anfitrião.
A relação entre Kiev e Brasília tem se deteriorado nos últimos meses, principalmente após falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideradas simpáticas à Rússia. A situação se agravou em maio, quando Lula participou das celebrações do Dia da Vitória em Moscou, ao lado de autoridades russas, em plena guerra na Ucrânia.
O gesto foi mal recebido pelo governo ucraniano, que chegou a recusar tentativas do Brasil de promover um diálogo telefônico entre os dois presidentes. Em Kiev, a aproximação brasileira com o Kremlin tem sido vista como uma manobra cínica para melhorar a imagem de Lula diante de Vladimir Putin.
Apesar do impasse, diplomatas brasileiros afirmam que os canais institucionais seguem abertos e que há esforços para restabelecer uma comunicação direta entre os presidentes. Um encontro entre Lula e Zelensky chegou a ser cogitado durante a cúpula do G7, em junho, mas acabou não se concretizando. Enquanto isso, a cadeira de embaixador da Ucrânia no Brasil permanece vazia, simbolizando a crescente tensão entre os dois países.
*As informações são do Metrópoles
