O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (24) a retirada de sua equipe de negociação de Doha, no Catar, após considerar que o Hamas demonstrou “falta de vontade” em alcançar um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. A decisão foi confirmada pelo enviado especial norte-americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, por meio de uma publicação em sua conta oficial na plataforma X (antigo Twitter).
“Decidimos trazer nossa equipe de volta de Doha para consultas após a última resposta do Hamas, que demonstra claramente sua falta de vontade de chegar a um cessar-fogo em Gaza”, escreveu Witkoff. Ele afirmou que os mediadores internacionais fizeram “grande esforço” para avançar nas conversas, mas acusou o grupo palestino de não agir de forma coordenada nem em boa-fé.
O enviado norte-americano também lamentou a postura do Hamas, classificando-a como “egoísta”, e reiterou que os Estados Unidos seguem determinados a buscar um fim para o conflito e uma paz duradoura na região. “Essa catástrofe humanitária recai sobre o Hamas, que poderia encerrar o conflito agora, libertando os reféns e depondo suas armas”, afirmou.
Em Washington, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, declarou em entrevista coletiva que a situação continua “muito dinâmica”, mas reforçou que o compromisso dos EUA com uma solução pacífica permanece firme. Ele criticou a quebra de acordos anteriores por parte do Hamas e questionou a real disposição do grupo para firmar uma nova trégua.
O rompimento das negociações ocorre após Israel também anunciar o retorno de sua delegação diplomática de Doha. Segundo o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a retirada foi motivada pela resposta negativa do Hamas à proposta de cessar-fogo em análise, o que teria frustrado qualquer avanço.
Fontes ligadas às negociações revelaram que o Hamas teria endurecido sua posição sobre pontos-chave, como o número de reféns a serem libertados, as condições para a retirada das forças israelenses e o papel da Fundação Humanitária para Gaza (GHF), que seria responsável pela distribuição de ajuda internacional no enclave palestino.
De acordo com o jornal israelense Yedioth Ahronoth, a proposta atual previa a libertação de 125 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e 1.200 detidos após os ataques de 7 de outubro de 2023. O Hamas, no entanto, passou a exigir a soltura de 150 prisioneiros com penas perpétuas e 2.000 detidos.
O grupo islâmico também insiste na inclusão de uma cláusula que impeça a retomada dos combates ao fim de um eventual período de trégua de 60 dias, caso não haja avanço nas tratativas por um cessar-fogo definitivo — algo que Israel rejeita. A proposta em vigor estabelece que, após esse prazo, as negociações podem continuar, mas não impede Tel Aviv de retomar a ofensiva caso considere necessário.
Com o colapso nas negociações, aumenta a incerteza sobre o futuro da crise humanitária em Gaza e sobre o destino dos reféns ainda mantidos pelo Hamas. O cenário também pressiona os Estados Unidos a reavaliar suas estratégias diplomáticas no conflito.
*Com informações da Agência EFE
