O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, está articulando uma nova declaração de emergência para sustentar legalmente a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos importados do Brasil. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg nesta sexta-feira (25), a uma semana do prazo anunciado por Trump para o início da cobrança, marcado para 1º de agosto.
Diferente de outras nações já afetadas por tarifas similares, o Brasil mantém um déficit comercial com os EUA, o que torna a medida vulnerável a questionamentos jurídicos por parte de empresas e governos afetados. A nova base legal buscaria reforçar o argumento comercial da medida, distanciando-se da justificativa política utilizada por Trump, que tem citado o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como um fator motivador para as tarifas, classificando-o como “caça às bruxas”.
Além da declaração de emergência em preparação, os EUA já abriram uma investigação formal sobre as práticas comerciais brasileiras. O processo, iniciado em 15 de julho pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ocorre sob os termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração vai examinar se ações e políticas do governo brasileiro são “irracionais ou discriminatórias” e se prejudicam o comércio americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que seu governo realizou dez reuniões com autoridades norte-americanas para tentar reverter a decisão, mas até o momento não houve avanços. A escalada das tensões comerciais ocorre em meio a um cenário delicado, com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alertando que o estado poderá perder R$ 830 milhões em exportações caso a medida seja mantida.
Com pouco tempo até a entrada em vigor do tarifaço, a crise comercial entre Brasil e EUA se intensifica, ampliando a pressão sobre o governo brasileiro e sobre setores produtivos que dependem do mercado americano.
*Com informações da Agência AE
