A Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou a nomeação de Jennifer DJ Nordquist, integrante do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, como nova diretora-geral adjunta da instituição. A decisão, revelada nesta segunda-feira (28) pela diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, marca um movimento estratégico dos Estados Unidos em meio a uma crescente tensão comercial com potências como China e Brasil.
Nordquist substituirá a atual vice-diretora Angela Ellard, também americana, que deixa o cargo no fim de agosto. Ela assume oficialmente a função em 1º de outubro e passará a integrar o núcleo executivo que comanda as diretrizes comerciais do planeta. A escolha sinaliza um reforço do controle norte-americano sobre a política multilateral de comércio, justamente em um momento em que Washington impõe tarifas agressivas e desafia abertamente os princípios da OMC.
“Jennifer traz décadas de experiência como estrategista econômica e política”, afirmou Okonjo-Iweala em comunicado oficial. A diretora-geral destacou ainda que a nova integrante irá atuar diretamente no esforço de “usar o comércio como ferramenta para elevar padrões de vida e gerar empregos”.
A nomeação acontece em meio a um clima de tensão crescente na organização, especialmente após os Estados Unidos anunciarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, provocando reação imediata de Brasília e críticas contundentes da China. A chegada de Nordquist à cúpula da OMC aumenta a presença norte-americana em um dos fóruns mais relevantes do comércio internacional, enquanto o governo Trump segue firme em sua política de confrontação comercial.
Além da nomeação da nova vice-diretora, a OMC reconduziu para novos mandatos os outros três atuais diretores-gerais adjuntos: Johanna Hill (El Salvador), Jean-Marie Paugam (França) e Xiangchen Zhang (China). A recondução desses representantes equilibra, ao menos formalmente, a composição geopolítica da alta gestão da entidade.
Apesar do discurso oficial de neutralidade, a entrada de uma aliada da Casa Branca em um dos cargos mais influentes da organização alimenta críticas de que os EUA buscam moldar as regras do comércio internacional ao seu favor — inclusive de dentro das instituições que costumam contestar.
*Com informações da Agência AE
