Estados Unidos e Argentina iniciaram formalmente negociações para permitir que cidadãos argentinos entrem em território norte-americano sem a necessidade de visto. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28) e representa o primeiro passo para a entrada da Argentina no Programa de Isenção de Vistos, um processo que, segundo estimativas, deve levar de dois a três anos para ser concluído.
A medida é vista como um gesto de apoio dos EUA ao presidente argentino Javier Milei, que tem se alinhado com a agenda conservadora norte-americana desde o início de seu mandato. O movimento teve início ainda durante a administração de Donald Trump e ganha fôlego agora com a visita da secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, a Buenos Aires. Durante encontro com Milei e sua equipe, Noem assinou uma declaração de intenção ao lado da ministra argentina da Segurança, Patricia Bullrich.
Em nota, o Departamento de Segurança Interna dos EUA elogiou Milei por realinhar a política externa da Argentina aos interesses norte-americanos e ressaltou o compromisso do país sul-americano com a segurança das fronteiras. Segundo o governo dos EUA, a Argentina apresenta a menor taxa de permanência irregular em solo americano entre todos os países da América Latina.
A aproximação entre Milei e os EUA acontece em meio a uma série de ações simbólicas que reforçam seu alinhamento com figuras conservadoras globais. Na conferência do Conservative Political Action Committee, realizada em fevereiro em Washington, Milei presenteou Elon Musk com uma motosserra, em alusão ao seu plano de enxugamento da máquina pública argentina. O gesto foi interpretado como um apoio explícito ao programa de eficiência governamental da era Trump.
Para Milei, a eventual remoção dos requisitos de visto representa não apenas um benefício diplomático, mas uma vitória política. A iniciativa reforça sua imagem de reformista liberal com forte respaldo internacional, especialmente junto aos círculos conservadores dos Estados Unidos.
*Com informações da Agência AE
