O governo dos Estados Unidos voltou a se opor publicamente ao movimento de países ocidentais que pretendem reconhecer oficialmente o Estado palestino. Em declaração feita nesta quinta-feira (31), a Casa Branca afirmou que a iniciativa, liderada por França, Reino Unido e Canadá, seria uma “recompensa” ao grupo Hamas e colocaria em risco as negociações por um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
“O presidente expressou seu descontentamento e desacordo com os líderes da França, do Reino Unido e do Canadá. Ele considera isso uma recompensa para o Hamas, que é o verdadeiro impedimento para um cessar-fogo que leve à libertação de todos os reféns”, declarou a porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, em entrevista à imprensa.
As críticas ocorrem após o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciarem que pretendem reconhecer formalmente o Estado palestino durante a Assembleia Geral da ONU em setembro. O britânico Keir Starmer também afirmou que tomará a mesma medida, caso Israel não aceite um cessar-fogo imediato em Gaza.
Donald Trump, que retornou ao comando da Casa Branca no início do ano, condenou os anúncios e ameaçou rever acordos comerciais. Em relação ao Canadá, alertou que a posição adotada por Carney “dificultará muito” a retomada das negociações econômicas entre os dois países.
Desde o início da nova escalada de violência em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, um número crescente de países tem avançado no reconhecimento da Palestina como Estado soberano. Entre os que já formalizaram a decisão estão Espanha, Irlanda e Noruega.
Apesar disso, os Estados Unidos reiteraram que seguem comprometidos com a chamada solução de dois Estados — um para Israel e outro para a Palestina — mas afirmam que esse reconhecimento deve surgir de um processo de negociação entre as partes envolvidas, e não por meio de decisões unilaterais ou coletivas sem diálogo direto com Tel Aviv.
A crescente pressão diplomática sobre Israel e os Estados Unidos ocorre em meio à crise humanitária em Gaza, aos milhares de mortos no conflito e à estagnação dos esforços internacionais por um cessar-fogo duradouro. O governo Trump, no entanto, mantém firme sua posição de que qualquer avanço nesse sentido só será legítimo se houver garantias de segurança para Israel e o desmantelamento do Hamas na região.
*Com informações da Agência EFE
