A direita boliviana caminha para um possível avanço histórico nas eleições nacionais marcadas para o próximo dia 17 de agosto. Segundo levantamento divulgado pelo jornal El Deber, os candidatos Samuel Medina, da Alianza Unidad, e Jorge Tuto Quiroga, da Alianza Libertad y Democracia, somam juntos 47% das intenções de voto, consolidando a frente conservadora na liderança das pesquisas.
A ascensão da direita ocorre em meio a uma crise interna no Movimento ao Socialismo (MAS), legenda que governou o país nos últimos 19 anos. O partido, historicamente liderado por Evo Morales, enfrenta um forte racha provocado por disputas de poder entre o ex-presidente e o atual chefe do Executivo, Luis Arce. A divisão tem enfraquecido a base de apoio da esquerda e dificultado a consolidação de uma candidatura competitiva no campo progressista.
Samuel Medina, ex-ministro de Estado nos anos 1990 e figura central nas primeiras políticas de privatização do país, volta à cena política como empresário e candidato à presidência pela terceira vez. Em 2014, ele chegou ao segundo lugar. Já Jorge Tuto Quiroga tem um histórico político robusto: foi presidente interino da Bolívia entre 2001 e 2002, após a renúncia de Hugo Banzer, e também ocupou os cargos de ministro da Fazenda e vice-presidente nos anos 1990. Em 2019, durante o governo interino de Jeanine Áñez, atuou como porta-voz internacional da Bolívia.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa alcançar 50% dos votos válidos mais um, ou 40% com pelo menos 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. Caso os atuais números se mantenham, o país poderá vivenciar um segundo turno inédito, já marcado para 19 de outubro. Especialistas apontam que, diante do enfraquecimento da esquerda e da fragmentação interna no MAS, o cenário é favorável à consolidação de um novo ciclo político no país.
*As informações são da Agência Brasil
