O rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, foi mantido preso após nova audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (4) e agora divide cela com outros detentos na Penitenciária Dr. Serrano Neves, a Bangu 3, no Complexo Penitenciário de Gericinó, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O artista havia permanecido isolado desde sua prisão, em 22 de julho, mas a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que a transferência para uma cela coletiva segue os protocolos habituais do sistema prisional.
A penitenciária onde Oruam está preso é a mesma que abriga lideranças do Comando Vermelho (CV), facção criminosa comandada por seu pai, o traficante Marcinho VP. Entre os presos mais conhecidos na unidade estão nomes como My Thor, Léo Barrão, Choque e Naldinho, todos ligados ao alto escalão do CV e que já figuraram entre os criminosos mais procurados do estado.
Oruam se tornou réu por tentativa de homicídio qualificado, ao lado de um amigo, identificado como Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira. A juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que também resultou na decretação de um novo mandado de prisão preventiva contra o rapper.
O episódio central da denúncia remete ao dia 21 de julho, quando Oruam e seus aliados teriam interferido na atuação da Polícia Civil durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente investigado por tráfico e roubo. O grupo, segundo a polícia, atacou o carro de um delegado e agiu para impedir a operação.
A prisão do artista também reacendeu o debate sobre a relação entre música, criminalidade e liberdade de expressão, especialmente após declarações da Polícia Civil que afirmaram: “Bandido não é artista.” Além disso, a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou, em comissões, uma proposta apelidada de “Lei Anti-Oruam”, que busca impedir que artistas investigados por associação ao crime recebam apoio ou verba pública.
