O Supremo Tribunal Federal (STF) está há 16 meses sem tornar públicos os detalhes sobre os gastos com passagens e diárias de ministros, servidores e seguranças. As últimas informações disponíveis no portal da Corte sobre viagens nacionais datam de maio de 2024, enquanto os dados internacionais não são atualizados desde abril do mesmo ano.
Segundo levantamento da coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles, com base no sistema Siga Brasil, do Senado Federal, os valores empenhados pelo Supremo com esse tipo de despesa aumentaram significativamente. Até o início de agosto de 2025, o STF gastou R$ 6,55 milhões com diárias e passagens — um crescimento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando o total corrigido pela inflação era de R$ 5,61 milhões.
Apesar de ser possível apurar o valor total das despesas, o modelo atual de divulgação não permite saber quanto foi gasto por cada integrante do tribunal. A suspensão das atualizações coincidiu com a repercussão de reportagens sobre os gastos do ministro Dias Toffoli em viagem à Europa, revelando, por exemplo, que um de seus seguranças recebeu R$ 39 mil em diárias para acompanhá-lo à final da Champions League, em Londres, em junho de 2024.
Em resposta a um pedido feito por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o diretor-geral do STF, Eduardo Toledo, alegou que o site do tribunal está passando por uma atualização para “melhorar a transparência e a acessibilidade”. A Corte reforçou esse argumento à imprensa e garantiu que os dados serão publicados novamente em breve, mas não forneceu qualquer prazo para que isso aconteça.
A falta de detalhamento tem gerado críticas por parte de entidades que monitoram o uso de recursos públicos, especialmente diante do aumento de gastos e da ausência de mecanismos de fiscalização acessíveis à sociedade. Mesmo com a promessa de retomada da transparência, o Supremo ainda não esclareceu quando os dados voltarão a ser divulgados de forma completa e individualizada.
