Em uma conversa telefônica que durou cerca de uma hora nesta quinta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, abordaram temas sensíveis da geopolítica e da economia internacional. Entre os assuntos discutidos, ganhou destaque a recente escalada de tarifas unilaterais aplicadas pelos Estados Unidos, que vêm afetando diretamente os dois países.
Desde o fim de julho, os produtos indianos passaram a ser taxados em 25% pelo governo norte-americano, sob o argumento de importações diretas ou indiretas de petróleo russo. Na semana seguinte, uma nova medida elevou esse percentual para 50%, igualando a tarifa já aplicada sobre produtos brasileiros. O Brasil e a Índia, até agora, são os países mais impactados por esse movimento tarifário adotado pela gestão Trump.
Além da preocupação com o cenário econômico global, os dois líderes reforçaram o compromisso de ampliar o comércio bilateral entre Brasil e Índia, com a meta de atingir 20 bilhões de dólares até 2030. Para isso, concordaram em ampliar o acordo entre o Mercosul e o país asiático.
Durante o diálogo, Lula e Modi também trocaram experiências sobre ferramentas de pagamento digital, como o Pix brasileiro e a UPI indiana, destacando o papel dessas plataformas na inclusão financeira e no avanço tecnológico dos respectivos países.
A expectativa é de que Lula visite oficialmente a Índia no início de 2026. Como preparação para essa missão, o vice-presidente Geraldo Alckmin deverá viajar ao país asiático em outubro deste ano, liderando uma comitiva formada por ministros e empresários. A visita ocorrerá durante a reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio, e deve abranger discussões sobre parcerias nas áreas de defesa, energia, minerais estratégicos, saúde e tecnologia.
O diálogo entre os dois líderes também reforça a aliança política crescente entre Brasil e Índia. Há cerca de um mês, Modi esteve no Brasil e, ao lado de Lula, defendeu o fortalecimento da presença dos países emergentes na governança global. Na ocasião, os dois chefes de Estado reiteraram o desejo de ingressar como membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU.
