O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu interromper a busca por aproximação com o segmento evangélico, conforme relatos de aliados ao jornal Estadão. A mudança de postura ocorre em meio à crescente rejeição ao governo entre evangélicos, grupo majoritariamente ligado à direita e tradicionalmente resistente ao PT.
Pesquisas recentes indicam queda significativa no apoio desse público: levantamento do Datafolha de agosto aponta que apenas 18% dos evangélicos avaliam positivamente o governo, contra 30% em outubro de 2024. A rejeição subiu para 55%, maior índice desde março do ano passado. Dados do Instituto PoderData reforçam o cenário desfavorável, com 69% desaprovando a gestão federal.
Aliados do presidente afirmam que Lula deixou de usar referências religiosas em seus discursos, uma estratégia que vinha sendo empregada em eventos públicos. Segundo um interlocutor, “Lula cansou” de tentar essa aproximação sem sucesso.
Apesar da desistência presidencial, o PT mantém iniciativas para amenizar a distância com os evangélicos, como o curso promovido em maio pela Fundação Perseu Abramo, que buscou preparar militantes para o diálogo com líderes e fiéis desse segmento.
