A ex-primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Keon Hee, foi presa sob acusações de suborno, manipulação de preços de ações e interferência política. Esposa do ex-presidente Yoon Suk-yeol, destituído do cargo e atualmente preso, Kim teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que apontou risco de destruição de provas. Ela foi levada para um centro de detenção no sul da capital, separado da unidade onde Yoon cumpre pena.
A investigação é conduzida por um promotor especial nomeado pelo presidente liberal Lee Jae-myung e integra um conjunto de três apurações sobre a gestão de Yoon, afastado em dezembro passado após tentar impor a lei marcial. É a primeira vez na história do país que um casal presidencial é detido simultaneamente por acusações criminais.
Os promotores suspeitam que Kim tenha usado sua influência para interferir na escolha de um candidato do Partido do Poder Popular, legenda conservadora, nas eleições legislativas de 2022. Ela também é investigada por receber presentes de luxo em troca de favores e por envolvimento em um esquema de manipulação de ações ligado a uma concessionária da BMW.
Entre os indícios apresentados, está um colar avaliado em US$ 43 mil que Kim usou em viagem oficial à Europa, supostamente comprado por um empresário cujo genro foi nomeado para um alto cargo no governo. A ex-primeira-dama nega que a joia tenha sido um presente, alegando que era falsa e emprestada.
A promotoria afirma ainda que um assessor próximo a Kim obteve milhões de dólares em investimentos para sua própria empresa explorando a relação com ela. Durante seu mandato, Yoon barrou repetidas tentativas do Parlamento, de maioria liberal, de investigar a esposa. Com a mudança de governo, as apurações foram autorizadas, incluindo casos sobre a lei marcial e a morte de um fuzileiro naval em 2023.
Yoon foi afastado pelo Parlamento e teve a destituição confirmada pelo Tribunal Constitucional em abril. Ele enfrenta julgamento por rebelião e outras acusações, mas evita comentar as investigações que envolvem Kim.
*Com informações da Agência EFE
